ANP autoriza Petrobras a retomar perfuração na Foz do Amazonas

Apesar da autorização, impôs condições; operação era realizada na costa do Amapá, mas foi interrompida em dezembro, após um vazamento de fluido

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a Petrobras a retomar perfuração de um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, que havia sido paralisada no início do ano devido a um vazamento de fluido de perfuração.
A informação foi divulgada pela agência Reuters e confirmada pela imprensa junto à ANP, nesta quarta-feira (4).
"Considerando as análises técnicas realizadas e as medidas mitigadoras propostas pela Petrobras, concluiu-se não haver óbice [empecilho] ao retorno das atividades de perfuração no referido poço, a partir do recebimento deste ofício", considerou a ANP.
Segundo nota da agência enviada à reportagem, "a autorização para o retorno da atividade de perfuração no poço Morpho, a ser realizada pela sonda ODN II (NS-42), é condicionada ao cumprimento integral de condicionantes estabelecidas, as quais deverão ser comprovadas pela empresa nos prazos definidos".
De acordo com a ANP, a Petrobras terá que realizar a substituição de todos os selos das juntas do riser, em conformidade com a versão mais recente do procedimento aplicável, antes da utilização do riser, bem como apresentar evidências da troca dos selos, incluindo análise da adequação da instalação, em até cinco dias após a instalação da última junta.
Riser é o trecho de tubulação suspensa que conecta as instalações de produção no fundo do mar às plataformas ou navios na superfície
A estatal deverá também apresentar evidências de treinamento de todos os colaboradores impactados pelo procedimento revisado de descida do BOP, previamente ao início das atividades, além de revisar o Plano de Manutenção Preventiva, com a redução do intervalo de coleta de dados dos registradores de vibração subsea nos primeiros 60 dias.
Por fim, deverá utilizar as juntas de riser reserva somente após o envio dos respectivos certificados de conformidade, comprovando que foram inspecionadas e/ou reparadas de acordo com as normas aplicáveis.
A ANP informou ainda que está fazendo auditoria do sistema de gestão de segurança operacional da sonda desde segunda-feira (2).
A reportagem do iG entrou em contato também com a Petrobras, solicitando posicionamento a respeito da autorização e das condições impostas, mas, até o momento, não obteve retorno. O espaço segue aberto.
Perda de fluido e interrupção
A perfuração na Foz do Amazonas foi interrompida no início de janeiro, depois de ser identificada perda de fluido, conhecido como lama, em tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho.
Trata-se de um fluido à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, comum em perfurações no mar, de acordo com a Petrobras.
A perfuração vinha sendo feita a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e, segundo a estatal, foi interrompida assim que o vazamento foi constatado. O problema, então, teria sido contido e isolado e as tubulações foram avaliadas e reparadas.
O Ibama informou, na época, que não houve vazamento de petróleo.
Exploração na Foz do Amazonas
A Petrobras foi autorizada pelo Ibama, em outubro do ano passado, a perfurar um poço em águas profundas na região da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial — que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte.
O aval é exclusivo para pesquisa exploratória e não há produção de petróleo
Mas ambientalistas discordam da atividade, enquanto especialistas em petróleo ressaltam sua importância para a produção.
A Petrobras afirma que o processo prevê a coleta de dados geológicos para verificar a presença de petróleo e gás em escala comercial. A previsão é que a exploração dure cerca de cinco meses.
A Margem Equatorial é vista como uma das novas fronteiras de exploração de petróleo e gás no Brasil, com potencial para se tornar um novo "pré-sal", segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).
Segundo o MME, a Margem Equatorial teria reservas que permitiriam explorar 1,1 milhão de barris de petróleo diariamente. É mais do que a capacidade dos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris por dia, e Búzios, que ultrapassou os 900 mil.



