Após declarações de Trump, Europa reforça segurança no Ártico

O posicionamento foi formalizado em um comunicado conjunto assinado por Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda

A Europa elevou o nível de alerta no Ártico após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de anexar a Groenlândia. Neste domingo (18), oito países europeus anunciaram o reforço das ações de segurança na região, em um movimento coordenado de apoio ao território semiautônomo ligado à Dinamarca e de contenção a qualquer ameaça à soberania local.
O posicionamento foi formalizado em um comunicado conjunto assinado por Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda. No texto, os governos destacam que a estabilidade no Ártico é um interesse estratégico comum e reiteram o compromisso com a defesa da Groenlândia. "Como membros da Otan, estamos empenhados em fortalecer a segurança do Ártico como um interesse transatlântico compartilhado", afirma a nota.

Entenda o caso
As manifestações ocorrem em meio à escalada retórica de Trump, que voltou a defender publicamente a incorporação da ilha aos Estados Unidos, alegando razões geopolíticas e econômicas. O presidente norte-americano chegou a sugerir a imposição de tarifas comerciais a países europeus caso Washington não seja autorizado a negociar a compra do território, declaração que gerou reação imediata entre aliados.
O governo da Groenlândia também se pronunciou. A ministra responsável pelas áreas de negócios, energia e minerais, Naaja Nathanielsen, agradeceu o apoio europeu e disse que o momento exige firmeza política. "Vivemos tempos extraordinários que exigem não apenas decência, mas também coragem", declarou.
Nos últimos dias, França, Alemanha e Reino Unido enviaram pequenos contingentes militares à Groenlândia, a pedido da Dinamarca, como parte de ações de cooperação e presença dissuasória. A movimentação acendeu alertas diplomáticos e ampliou o debate sobre o papel da Otan no Ártico.Para o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, há consenso entre os aliados sobre a necessidade de ampliar a atuação da aliança na região. "Todos concordamos que o papel da Otan no Ártico deve ser fortalecido", afirmou.
Clima tenso
A tensão também se refletiu nas ruas. Protestos contra a proposta de anexação foram registrados no sábado (17) na Groenlândia e na Dinamarca, com atos em Copenhague. Paralelamente, embaixadores dos 27 países da União Europeia se preparam para discutir uma resposta conjunta às ameaças comerciais feitas por Trump.
Outros líderes europeus reforçaram o tom de cautela. O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, disse que o país não aceitará pressões externas, enquanto o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, defendeu o diálogo como caminho para resolver impasses com Washington. Já o premiê da Noruega, Jonas Gahr Støre, afirmou que há entendimento amplo dentro da Otan de que ameaças não cabem entre aliados.
Trump sustenta que a Groenlândia é estratégica para a segurança dos Estados Unidos, tanto pela posição geopolítica quanto pelo potencial de recursos minerais, e já declarou que não descarta o uso da força.


