BRASIL: PF FAZ OPERAÇÃO NO CONGRESSO E SURPREENDE PARLAMENTARES

14/12/2025

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (12/12), uma operação de busca e apreensão dentro da Câmara dos Deputados para apurar suspeitas de irregularidades na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. A ação ocorre em Brasília e atinge um dos espaços mais sensíveis da Casa, ligado ao controle e à articulação do orçamento.

Agentes da PF estiveram no Anexo II da Câmara, mais precisamente na sala 135, oficialmente identificada como "assessoria da presidência". Nos bastidores, porém, o local é conhecido como a chamada "sala do orçamento secreto", por concentrar informações e articulações relacionadas à liberação de emendas parlamentares nos últimos anos. O corredor que dá acesso ao espaço foi isolado pela Polícia Legislativa, seguindo os protocolos de segurança adotados em operações desse tipo no Congresso Nacional.

Ao todo, estão sendo cumpridos dois mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. As ordens judiciais fazem parte de uma investigação que busca esclarecer possíveis desvios e fraudes na aplicação de recursos públicos, envolvendo a atuação de assessores e a estrutura interna da Câmara.

Entre os alvos da operação está Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados. Conhecida nos corredores do Congresso como Tuca, ela atualmente ocupa um cargo na Liderança do Partido Progressista (PP) na Casa. A presença do nome de Mariângela na investigação reforça o peso político da operação, já que ela atuou diretamente em espaços estratégicos ligados ao comando da Câmara.

A investigação conduzida pela Polícia Federal apura indícios da prática de crimes como peculato, falsidade ideológica, uso de documentos falsos e corrupção. Segundo as apurações, há suspeitas de que recursos públicos tenham sido direcionados de forma irregular, com possível manipulação de documentos e informações para viabilizar a liberação de verbas por meio de emendas parlamentares.

A entrada da PF em dependências da Câmara dos Deputados causou impacto entre parlamentares e servidores. Embora operações no Legislativo não sejam inéditas, a escolha de um espaço diretamente associado à gestão do orçamento aumenta a repercussão política do caso. Internamente, o clima foi de cautela, com circulação restrita na área e reforço da segurança durante o cumprimento dos mandados.

Até o momento, nem o deputado Arthur Lira nem a defesa de Mariângela Fialek se manifestaram publicamente sobre a operação. Ambos foram procurados pela imprensa, mas ainda não apresentaram posicionamento oficial. A expectativa é de que, ao longo do dia, haja manifestações para esclarecer o envolvimento dos citados e responder às suspeitas levantadas pela investigação.

A operação reforça o avanço das apurações sobre o uso de emendas parlamentares e amplia a pressão sobre o Congresso em relação à transparência na gestão dos recursos públicos. O material apreendido deve ser analisado pela Polícia Federal e pode embasar novas fases da investigação ou a inclusão de outros nomes no inquérito.

O caso segue sob sigilo parcial, e novas informações devem ser divulgadas conforme o andamento das diligências e a análise do material recolhido.