Cão Orelha: depoimentos inéditos lançam nova luz sobre o caso

02/02/2026

O cão comunitário morreu no dia 5 de janeiro em Praia Brava, litoral de Santa Catarina; caso mobilizou ativistas e artistas em todo o país

O caso cão Orelha, morto no início de janeiro, após ser brutalmente assassinado por adolescentes em Praia Brava, Santa Catarina, ganhou novos desdobramentos a partir das investigações.

Estão sendo apuradas ainda a culpabilidade das agressões ao cão, que viralmente foi atribuída a ao menos quatro adolescentes que estavam em prédio onde estavam hospedados.

De acordo com reportagem do Fantástico, exibida neste domingo (1º), os depoimentos do porteiro, aponta que outros jovens que já passaram temporada no local, já estiveram ligados a desentendimentos com o porteiro por causa de xingamentos, depredação e restrição de horários de saída e entrada do prédio, mas que não havia como provar que as agressões foram realizadas pelos jovens acusados.

"Sobre a situação do cachorro, eu não posso acusar que foram eles. Eu digo que, se eu tivesse visto batendo no animal, eu diria que eram eles", disse o funcionário.

O advogado do porteiro reforçou a colaboração do funcionário à Justiça: "Tudo o que ele sabia sobre o caso, ele já comunicou. Ele não tem como comunicar um foto que ele não presenciou", afirmou Marcos Assis dos Santos.

Ao saber das discussões dos adolescentes que haviam sido fotografado, os pais dos adolescentes e o tio de um deles foi até à portaria para ameaçar o porteiro.

Nas imagens da câmeras de seguranças, exibidos na reportagem, mostraram que o responsável de um dos jovem aparece com um objeto que aparentemente era uma arma de fogo. Durante mandado de busca e apreensão na residência onde a suspeito mora, não foram achadas armas.

O porteiro registro a ameaça e os pais registraram boletim de ocorrência após saber que a imagem dos adolescentes foram divulgadas em grupos. Ao todo, três pessoas foram indiciadas por coersão, que está tramitando no Ministério Público. Os pais negam.

Os adolescentes estavam em uma viagem programada com a turma da escola, nos Estados Unidos, e r etornaram ao Brasil de forma antecipada devido às investigações.

Dias após o caso de Orelha, outros cãos foram vítimas da violência, como o Cão Caramelo e o Abacate. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2025 foram registrados ao menos 13 casos de maus-tratos contra animais por dia e 4.919 por ano.

Depoimentos controversos

De acordo com a reportagem, a Polícia Civil descartou que as agressões de Orelha estejam ligadas a desafios de grupo de internet.

Ao menos 20 pessoas foram ouvidas e cenas de câmeras de segurança sendo avaliadas para desvendar o crime. Não há, por enquanto, imagens que mostrem a agressão e nem testemunhas do crime, entretanto a polícia apontou controversas nos depoimentos dos adolescentes.

"Se ele fez alguma coisa e estiver provado, ele tem que responder. Mas precisa ter prova. Queremos justiça tanto quanto as outras pessoas", disse um dos pais.

Além disso, a participação de um dos quatro adolescentes já foi descartada com o desdobramento do caso.

Caso

O cão Orelha morreu no início de janeiro após ser brutalmente espancado por quatros adolescentes em Praia Brava, litoral de Santa Catarina, no dia 4 de janeiro.

No dia seguinte, dia 5, o animal foi submetido à eutanásia por um veterinário devido à gravidade dos ferimentos.

Pais de dois deles e um tio, segundo a polícia, coagiram testemunhas e atrapalharam as investigações. Os três foram indiciados. As investigações continuam.

Orelha era cão comunitário em Praia Brava, isso significa que o animal era alimentado e cuidado por moradores da região. O caso chocou o país e mobilizou inúmeros artistas e ativistas brasileiros e internacionais.