Curitiba quer ter mais de 8 mil ‘olhos digitais’ vigiando a cidade 24 horas

02/03/2026

Sistema de videomonitoramento inteligente já conta com mais de 2 mil câmeras, mas meta é ampliar esse número expressivamente até 2028

O "Big Brother Curitiba" vai ganhar um reforço importante nos próximos anos. É que a Muralha Digital, um sistema de monitoramento em tempo real que vigia a cidade 24 horas por dia, usando tecnologia e inteligência, vai receber um importante e expressivo reforço. Com isso, o número de câmeras monitorando ruas e pontos estratégicos da cidade deve praticamente quadruplicar nos próximos anos.

Até metade do ano passado, o Centro de Controle Operacional da Muralha estava equipado com cerca de 2 mil câmeras, entre fixas, bodycams (utilizados por agentes da Guarda Municipal) e veiculares. Em julho de 2025, no entanto, foi lançado o programa Conecta Muralha Curitiba. E desde então a segurança pública do município passou a contar com a integração e o compartilhamento de sistemas de videomonitoramento privados (de empresas de segurança e condomínios) com a Muralha Digital.

Por ora, segundo informações da Prefeitura de Curitiba, 300 câmeras com inteligência artificial já passaram a reforçar o cerco digital de segurança do município. Ao longo de 2026, a expectativa é que mais 2 mil câmeras particulares sejam incorporadas à Muralha. Mas a meta é para os próximos anos é ainda mais ousada: integrar até 6 mil câmeras marticulares à Muralha Digital.

Se isso ocorrer, de fato, Curitiba contará até 2028 com mais de 8 mil câmeras fazendo o monitoramento de espaços e vias públicas. Isso porque o município já conta com cerca de 2 mil câmeras públicas e pode passar a contar com 6 mil "olhos digitais" particulares integrando a Muralha Digital.

Importante destacar, ainda, que essa integração ocorre somente com as câmeras e dispositivos que registram as imagens das ruas e calçadas do município, com olhar voltado à prevenção de crimes e para fins de investigação criminal.

Novos "olhos" contam com reconhecimento facial e leitura de placas

Até pouco tempo, faziam parte do Conecta Muralha apenas câmeras da STV – Segurança, Tecnologia e Vigilância Patrimonial. Na última semana, contudo, as empresas CoSecurity e Alcatraz Segurança Privada também passaram a fazer parte do programa Conecta Muralha.

Só no primeiro caso, da CoSecurity, a meta é até o final do ano incorporar até 900 câmeras. E todas elas com alta tecnologia, explica coordenador comercial da empresa, Ricardo Ferrante.

"Nos postes com câmeras é possível filmar o perímetro da rua com reconhecimento facial e leitura de placas. Qualquer pessoa pode acessar o QRCode instalado no poste e reportar um incidente para a empresa. E essa tecnologia agora está integrada e conectada à Muralha Digital para fins de investigação criminal, respeitando sempre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), explicou Ferrante.

Por outro lado, o diretor da Alcatraz, Leonardo Delatorre, destaca que a parceria com a Muralha Digital vai resultar em ações mais efetivas. "O cidadão fica mais seguro com essa união, ocorre o reforço da segurança pública. Essa integração traz agilidade para que a polícia possa identificar os autores e realizar prisões logo após o crime acontecer", afirmou ele. A Alcatraz vai conectar 500 câmeras à Muralha nessa primeira fase da integração.

Câmeras já resultaram em prisões em flagrante

De acordo com Rafael Vianna, secretário municipal de Defesa Social e Trânsito de Curitiba, as câmeras da Muralha Digital têm sido um importante reforço para a segurança pública. Uma prova disso é que os locais monitorados pelo sistema registram redução de até 40% nas ocorrências de crime. Foi o que aconteceu, por exemplo, na Praça do Redentor (Praça do Gaúcho) e também em cemitérios municipais.

Além disso, só em fevereiro localizou-se várias suspeitos ou procurados pela Justiça graças ao monitoramento digital. "As câmeras com reconhecimento facial auxiliaram o nosso operacional da Guarda Municipal em cinco prisões de foragidos que desembarcaram na rodoviária de Curitiba neste mês de fevereiro, e ainda em prisões em flagrante por tráfico de drogas na área central e em casos de furto de fiação", lembra Vianna.