De que é feita a cápsula Orion, que aguenta temperaturas extremas

Tecnologia usou escudo ablativo, fibras especiais e estrutura avançada que protegeram os astronautas durante reentrada no nosso planeta

A cápsula NASA Orion, peça principal do programa Artemis II, foi projetada para enfrentar um dos momentos mais críticos de qualquer missão espacial: a reentrada na atmosfera da Terra. Nesse estágio, o veículo pode atingir temperaturas próximas de 2.700 °C, resultado do atrito com o ar a velocidades superiores a 40 mil km/h. As informações são da NASA.
Para suportar esse calor extremo, a Cápsula Orion não é feita de um único material, mas sim de um conjunto altamente sofisticado de estruturas e camadas de proteção térmica.

Escudo térmico é a principal defesa contra o calor
O componente mais importante da cápsula é o escudo térmico, o maior já construído para uma nave desse tipo. Ele mede cerca de 5 metros de diâmetro e fica na base da cásula Orion, justamente a parte mais exposta ao calor durante a reentrada.
Esse escudo é composto principalmente por um material chamado Avcoat, um composto ablativo (ou seja, que se desgasta de forma controlada). Durante a reentrada, o material literalmente "queima" e se desprende, levando o calor embora e impedindo que ele atinja o interior da cápsula.
Esse mesmo conceito já havia sido utilizado nas missões Apollo, mas na Orion ele foi modernizado com técnicas mais precisas de fabricação e aplicação.

Estrutura interna continham resistência e leveza
Por baixo do Avcoat, o escudo térmico possui uma estrutura robusta formada por:
- Esqueleto de titânio, que garante resistência mecânica
- Revestimento de fibra de carbono, responsável por manter a forma e suportar cargas
- Estrutura em colmeia de fibra de vidro com resina fenólica, onde o material ablativo é aplicado
Essa combinação permite que o escudo seja ao mesmo tempo leve e extremamente resistente, uma característica essencial para missões espaciais.
Revestimento externo possui uma proteção térmica completa
Além da base, toda a cápsula conta com um sistema de proteção térmica distribuído. As laterais são cobertas por mais de 1.300 placas feitas de fibras de sílica, semelhantes às utilizadas nos antigos ônibus espaciais.
Essas placas têm uma função dupla:
- Proteger contra o calor intenso da reentrada
- Isolar a nave do frio extremo do espaço
Ou seja, a cápsula Orion precisa resistir tanto a temperaturas altíssimas quanto ao ambiente congelante fora da atmosfera terrestre.
Como a cápsula Orion protege os astronautas?
A eficiência desse conjunto de materiais é impressionante. Enquanto o exterior da cápsula pode chegar a cerca de 5.000 °F (aproximadamente 2.760 °C), o interior permanece em temperaturas seguras para os astronautas.

Isso acontece porque o sistema ablativo dissipa o calor antes que ele atravesse a estrutura, funcionando como uma espécie de "escudo descartável" durante a descida.
Engenharia testada ao limite
Antes de ser utilizada em missões tripuladas, a tecnologia da cápsula Orion passou por mais de mil testes em laboratório, simulando condições extremas de calor e velocidade.
Esses testes foram fundamentais para garantir que cada camada, do titânio ao Avcoat, funcione de forma integrada, sem falhas.
Um equilíbrio entre tradição e inovação
Embora utilize materiais conhecidos da era Apollo, a cápsula Orion representa um avanço na engenharia espacial. A diferença está principalmente na forma como esses materiais são fabricados e aplicados, com maior precisão, eficiência e confiabilidade.
Esse equilíbrio entre tecnologias testadas e métodos modernos é o que permite à nave enfrentar condições extremas e ainda assim manter a segurança da tripulação.


