Emirados Árabes querem entrar na guerra para abrir Ormuz

País articula ação militar com EUA e aliados para liberar estreito que é rota de petróleo; decisão pode levá-lo ao conflito direto com o Irã

Os Emirados Árabes Unidos começaram a discutir a possibilidade de entrar diretamente na guerra no Oriente Médio e ajudar Estados Unidos e aliados a abrir o Estreito de Ormuz à força. A informação é do The Wall Street Journal, com base em autoridades árabes.
Se a ideia sair do papel, será a primeira vez que um país do Golfo assume papel direto como combatente no conflito.
Nos bastidores, segundo o jornal estadunidense, o governo emiradense tenta viabilizar essa saída também no campo diplomático. Representantes do país defendem uma resolução no Conselho de Segurança da Organização Mundial da Saúde (ONU) que autorize uma ação militar na região. Ao mesmo tempo, têm buscado apoio de países europeus e asiáticos para formar uma aliança contra o Irã.
A leitura entre essas autoridades é que o Irã passou a usar o bloqueio do estreito como instrumento de pressão, não só militar, mas também econômica, com efeitos diretos no mercado global de energia.
Plano inclui ação militar e disputa por áreas estratégicas
Segundo o jornal, os Emirados avaliam participar de operações práticas no estreito, como a retirada de minas e a escolta de navios.
Há também discussões mais sensíveis, como a possibilidade de ocupar pontos estratégicos da região. Entre eles está a ilha de Abu Musa, controlada pelo Irã há décadas, mas reivindicada pelos emiradenses.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes do mundo. Por ali passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por navios, o que transforma qualquer instabilidade na área em um problema global.
Dentro do Golfo, há um entendimento crescente de que deixar o controle da região nas mãos do Irã, mesmo em um cenário de negociação, pode manter a pressão sobre o comércio internacional.
Ataques recentes mudaram postura do país
A mudança de posição dos Emirados não aconteceu do nada. Ela vem na esteira de uma sequência de ataques iranianos que atingiram o país nas últimas semanas.
Mísseis e drones foram lançados contra cidades e estruturas estratégicas, elevando a tensão. Em um único dia, segundo autoridades, quase 50 projéteis foram disparados.
No acumulado da guerra, o volume é ainda maior: cerca de 2.500 ataques, entre mísseis e drones, teriam como alvo o território emiradense.
Os impactos já são visíveis. Houve redução no tráfego aéreo, queda no turismo e efeitos no mercado imobiliário, setores centrais para a economia local. Além disso, a imagem do país como uma espécie de "porto seguro" na região passou a ser questionada.
Antes do conflito, os Emirados mantinham uma postura mais cautelosa em relação ao Irã e, em alguns momentos, tentaram atuar como ponte para negociações. Esse papel, agora, ficou para trás.
O que se desenha é um alinhamento mais claro com os Estados Unidos, que vêm cobrando maior participação dos aliados na guerra. Ainda assim, a decisão carrega grandes riscos para o país arábico: novas retaliações e um cenário mais difícil para qualquer reaproximação com Teerã no futuro.



