Homem morre ao entrar em turbina de avião e pais processam cidade

Família afirma que falhas de segurança e falta de protocolos impediram intervenção a tempo em aeroporto de Salt Lake City durante crise psiquiátrica

Os pais de um passageiro que morreu após entrar no motor de um avião da Delta Air Lines entraram com uma ação judicial contra a cidade de Salt Lake City, nos Estados Unidos. Segundo o processo, a morte poderia ter sido evitada se houvesse falhas de segurança adequadamente corrigidas e resposta mais rápida por parte das autoridades do aeroporto. As informações são do NY Post.
Kyler Efinger, de 30 anos, foi encontrado morto em 1º de janeiro de 2024 depois de rastejar para dentro da turbina de uma aeronave que aguardava autorização para decolagem no Aeroporto Internacional de Salt Lake City. Ele tinha passagem comprada e viajava para visitar o avô, que estava doente.

De acordo com a ação movida por Judd e Lisa Efinger, pais da vítima, Kyler apresentava sinais claros de um surto psiquiátrico antes de alcançar a área externa do terminal. Diagnosticado com transtorno bipolar cerca de dez anos antes da morte, ele "ocasionalmente entrava em episódios de desorientação visível", segundo documentos judiciais.
O processo relata que, por volta das 21h, Kyler começou a andar de um lado para o outro em uma passarela do aeroporto, demonstrando comportamento agitado. Menos de meia hora depois, ele entrou em uma loja do time Utah Jazz e agiu de forma tão incomum que o gerente decidiu cobrar menos do que o valor total de uma camisa, apenas para encerrar rapidamente a venda.
Ao sair do local, Kyler esqueceu uma bolsa, o que levou o gerente a acionar a equipe de operações do aeroporto. Pouco depois, o passageiro voltou correndo pelo terminal sem sapatos e com a camisa parcialmente aberta, gritando que seus pertences estavam sendo mantidos "como reféns" e que "toda a vida dele estava ali".
O relato aponta que, mesmo após demonstrar comportamento considerado incoerente e cada vez mais agitado, não houve uma intervenção efetiva da segurança. Em determinado momento, funcionários do aeroporto acionaram a vigilância, o que fez Kyler fugir em direção ao portão A1.
Por volta das 21h52, ele tentou abrir uma porta trancada que dava acesso a uma ponte de embarque. Em seguida, abordou brevemente um funcionário da limpeza, sem que nenhuma providência fosse tomada. Minutos depois, tentou forçar outro acesso restrito, caiu de forma brusca e chegou a bater um dos sapatos contra a janela próxima ao portão.
Ainda segundo o processo, Kyler conseguiu atravessar uma porta de emergência que ligava a área estéril do terminal ao pátio do aeroporto. Essa saída, de acordo com a acusação, não contava com o sistema adequado de bloqueio com atraso, mecanismo que exige de 15 a 20 segundos antes da liberação da porta, tempo suficiente para alertar a segurança.
"A cidade não manteve barreiras capazes de impedir que uma pessoa visivelmente desorientada acessasse livremente o pátio, com todos os riscos envolvidos, sem ser notada ou monitorada", afirma a ação.
Após chegar à pista, Kyler retirou as calças e a roupa íntima, permanecendo apenas com a camisa e meias, apesar das temperaturas baixas. Em seguida, correu em direção a uma aeronave Airbus que já se deslocava para a decolagem.
O processo sustenta que controladores de voo e pilotos não foram avisados de que havia uma pessoa desorientada circulando do lado de fora do terminal.
Kyler então entrou no motor do avião ainda em funcionamento. As pás da turbina puxaram seus cabelos, e ele morreu em decorrência de traumatismo craniano grave. O piloto conseguiu desligar o motor ao perceber a situação, mas os ferimentos já eram fatais.
Os pais alegam que o filho poderia estar vivo se tivesse sido localizado apenas 30 segundos antes. A ação acusa Salt Lake City de negligência na manutenção de sistemas de segurança, falhas na comunicação interna e ausência de alertas adequados às equipes de solo e à torre de controle.
A família pede indenização superior a US$ 300 mil, o equivalente a mais de R$ 1,5 milhão, além de julgamento por júri. Procurada, a prefeitura de Salt Lake City não respondeu aos pedidos de comentário até a última atualização desta reportagem.


