Irã envia plano com 10 exigências aos EUA; saiba quais

Teerã condiciona acordo ao fim de sanções, retirada de tropas e garantias de segurança, com mediação internacional e pausa nos ataques

O governo do Irã apresentou, nesta terça-feira (07), um plano com dez exigências aos Estados Unidos para tentar encerrar a guerra entre os dois países.
O plano foi divulgado pela mídia estatal iraniana e reúne condições para um possível acordo. Entre os principais pontos estão o compromisso de que os Estados Unidos não ataquem o país, a manutenção do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz e o reconhecimento do direito iraniano de produzir combustível nuclear.
O texto também prevê o fim das sanções econômicas contra o Irã, o cancelamento de decisões internacionais contrárias ao país, o pagamento de indenizações e a retirada de tropas americanas da região.
Além disso, inclui a interrupção de ações militares em outras áreas ligadas ao conflito, como no Líbano.
Veja todos os pontos:
- Os EUA devem se comprometer, em princípio, a não agressão;
- Manutenção do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz;
- O direito do Irã ao enriquecimento de urânio deve ser aceito;
- Suspensão de todas as sanções primárias;
- Suspensão de todas as sanções secundárias;
- Encerramento de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU;
- Encerramento de todas as resoluções do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica;
- Pagamento de indenização pelos danos infligidos ao Irã;
- Retirada das forças de combate dos EUA da região; e
- Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive contra a "resistência islâmica" no Líbano.
Em comunicado, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que o plano exige a continuidade do controle do país sobre o estreito, a aceitação do programa nuclear iraniano e o fim de todas as sanções. O órgão também defendeu que o acordo seja aprovado pela ONU, para que tenha validade internacional e força legal.
Reação de Trump
Antes da proposta ser apresentada, Trump fez um comunicado público e disse que poderia haver grande destruição no Irã caso não houvesse avanço nas negociações. A intermediação do Paquistão aconteceu pouco antes do prazo indicado pelos Estados Unidos.
Após receber o plano, Trump afirmou que ele pode ser usado como base para diálogo. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse ainda que as negociações vão continuar.
Reabertura do Estreito de Ormuz
Depois do anúncio da trégua, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchna, confirmou que o Estreito de Ormuz será reaberto durante o período de duas semanas. Segundo ele, a navegação será segura, desde que haja coordenação com as forças militares do país.
Segundo o ministro, a passagem de navios dependerá de alinhamento com o Exército do país e de limitações técnicas.
O estreito é uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo e estava fechado desde o início do conflito, há cerca de cinco semanas.
Além disso, Araghchna também afirmou que o Irã vai suspender ações de defesa se os ataques contra o país forem interrompidos.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional informou que as negociações vão continuar na capital do Paquistão, com duração inicial de duas semanas, podendo ser prolongadas. O órgão destacou que a trégua não significa o fim da guerra, que só será encerrada com um acordo definitivo.


