Irã lança mísseis e chama fala de Trump de “fake-news”

24/03/2026

Ataque atinge Tel Aviv após anúncio de pausa nos bombardeios dos EUA; governo iraniano diz que não houve negociação e mantém ofensiva militar

O Irã lançou mísseis contra Israel na manhã desta terça-feira (24), horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar ataques a instalações de energia iranianas. Em Tel Aviv, um prédio residencial foi atingido e equipes de resgate procuram civis sob os escombros.

O bombardeio ocorre no meio de uma pausa parcial anunciada por Washington. Trump disse na véspera que suspendeu por cinco dias os ataques a usinas de energia após conversas "produtivas" com autoridades iranianas. Segundo a Reuters, a trégua não inclui outras ações militares, que seguem em andamento.

As sirenes de alerta tocaram em várias cidades israelenses. Em Tel Aviv, imagens mostram um edifício com gandes danos estruturais. Não está claro se o impacto foi direto ou causado por destroços de interceptações.

Bombeiros israelenses informaram que há pessoas presas em um dos prédios atingidos. Em outro ponto da cidade, civis foram encontrados dentro de um abrigo após o ataque.

Na noite anterior, Israel havia intensificado a ofensiva sobre o Irã. Caças atingiram centros de comando em Teerã, capital do Irã, e mais de 50 alvos ligados a mísseis balísticos, segundo o Exército israelense.

O anúncio de Trump sobre a pausa ocorreu após ameaças feitas no fim de semana. Ele havia dito que poderia destruir a infraestrutura energética iraniana caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz.

Irã nega negociação e mantém ataques

A versão apresentada pelos Estados Unidos foi contestada em Teerã. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que não houve negociação direta com Washington.

Ele disse que informações sobre conversas estariam sendo usadas para influenciar mercados. A Guarda Revolucionária também rejeitou a fala de Trump e classificou as declarações como "operações psicológicas".

Mesmo com o recuo anunciado pelos EUA, o Irã manteve os ataques. A Guarda afirmou que novas ofensivas seguem em curso contra alvos americanos na região.

De acordo com a Reuters, nos bastidores, há tentativa de abrir um canal diplomático. Segundo fontes ouvidass, países como Paquistão, Egito e integrantes do Golfo atuam como intermediários. Há expectativa de uma reunião em Islamabad, capital paquistanesa, ainda nesta semana.

Contexto da guerra

Os Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã em 28 de fevereiro. O ataque atingiu instalações militares e estruturas consideradas estratégicas pelo regime iraniano. Explosões foram registradas na capital, Teerã, e em outras cidades importantes para o Regime Aiatolá.

O ataque matou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. A confirmação da morte foi divulgada, horas depois dos primeiros ataques, pela imprensa estatal iraniana. Os ataques e a perda do principal líder político e religioso do Irã provocou reação imediata do governo. Mojtaba Khamenei, filho de Ali, assumiu o posto.

O Irã respondeu com ataques contra alvos ligados aos Estados Unidos e a Israel no Oriente Médio. Foram disparados mísseis e drones contra bases militares e infraestruturas estratégicas em diferentes países do Oriente Médio.

A Guarda Revolucionária iraniana anunciou, nos dias seguintes, o fechamento do Estreito de Ormuz. A passagem marítima conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas usadas para exportação de petróleo no mundo.

No estreito passam cerca de 20% do petróleo transportado por navios no planeta. Autoridades iranianas afirmaram que embarcações que tentassem atravessar a área poderiam ser atacadas.

Para autorizar a travessia pelo estreito, o Irã colocou como condição da passagem à retirada da embaixada dos Estados Unidos do país de origem da embarcação e vice-versa.

Os Estados Unidos negam que a rota tenha sido completamente bloqueada. Porém, desde então, incidentes envolvendo navios comerciais passaram a ser registrados no entorno da passagem.

Nas últimas horas, o conflito ganhou novos contornos. Israel voltou a atingir a capital iraniana com uma sequência de explosões relatadas pela imprensa local, enquanto abriu outra frente ao intensificar bombardeios no sul do Líbano, com alvos ligados ao Hezbollah.

 Do lado iraniano, a resposta se mantém ativa e mais ampla. Dois mísseis foram lançados em direção à Arábia Saudita, um deles foi interceptado, e o outro caiu em uma área desabitada. Desde o início da guerra, segundo Israel, já foram mais de 400 projéteis disparados contra o país.

A tensão também avançou para o campo econômico e marítimo. Após ameaçar destruir instalações de energia ligadas a aliados dos Estados Unidos, a Guarda Revolucionária voltou a mencionar o fechamento total do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global.

Agora, o risco se estende ao próprio Golfo Pérsico. O Conselho de Defesa do Irã indicou que pode usar minas navais caso haja uma ofensiva terrestre.


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