Jovem é indiciado por usar IA para criar pornô falso de mulheres

Montagens feitas com uso de inteligência artificial foram divulgadas em sites pornográficos e redes sociais; foram 12 vítimas, em Aracaju (SE)

Um jovem de 21 anos foi indiciado pela Polícia Civil de Sergipe, por meio da 4ª Delegacia Metropolitana (4ª DM), pelos crimes de difamação qualificada e divulgação de cena de sexo ou pornografia, após criar e divulgar montagens pornográficas falsas de 12 mulheres de Aracaju, utilizando ferramentas de Inteligência Artificial (IA).
De acordo com o delegado Marcos Garcia, que divulgou as informações sobre o caso nesta segunda-feira (12), as investigações começaram no dia 29 de dezembro, quando jovens procuraram a polícia para denunciar que imagens de cunho sexual, supostamente atribuídas a elas, estavam sendo divulgadas em um site pornográfico e em redes sociais.
Na apuração, a Polícia Civil constatou que as imagens não eram reais e que tinham sido produzidas com uso de ferramentas de IA, a partir de fotografias extraídas de perfis públicos nas redes sociais das vítimas.
Garcia explicou que o investigado utilizava imagens obtidas principalmente do Instagram, inserindo-as em aplicativos de inteligência artificial capazes de gerar montagens com conteúdo sexual.
Em seguida, o material era publicado em plataformas pornográficas, acompanhado de comentários ofensivos e afirmações de caráter depreciativo sobre as vítimas.
"Oficiamos a plataforma onde as imagens estavam publicadas e conseguimos alguns dados cadastrais do indivíduo que havia postado. Dessa forma, conseguimos identificá-lo", descreveu o delegado.
Ao todo, 12 mulheres foram identificadas como vítimas, todas conhecidas do investigado, incluindo ex-colegas de escola e vizinhas.
Durante o interrogatório, ao ser questionado sobre a motivação, o jovem alegou que foi uma "brincadeira", o que, segundo o delegado, não descaracteriza a gravidade dos crimes.
"Ele foi muito frio no depoimento. As imagens são assustadoras, de baixíssima qualidade e agressivas, agredindo a moral das vítimas. Esse é um crime muito covarde, uma agressão covarde", ressaltou o delegado
Ele reforçou que o uso da inteligência artificial para criar imagens falsas de cunho sexual é crime grave, pois atinge diretamente a dignidade, a honra e a integridade moral das vítimas.
O investigado foi indiciado pelos crimes de difamação, cuja pena gira em torno de 3 anos, e divulgação de cena de sexo, nudez ou pornografia, cuja pena pode chegar a 10 anos de reclusão.
Ainda conforme a Polícia Civil, o inquérito policial foi concluído e será encaminhado ao Poder Judiciário.



