Maior usina nuclear do mundo é reativada, 15 anos após Fukushima

Reator da usina japonesa retoma funcionamento com sistemas de segurança reforçados, enquanto moradores ainda demonstram preocupação

Nesta quarta-feira (21) o Japão reiniciou a usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, em Niigata, considerada a maior do planeta. É o primeiro reator da Tokyo Electric Power Company (TEPCO) a voltar a funcionar desde o acidente de Fukushima, em 2011.
Antes do início da operação comercial, prevista para o final de fevereiro, o reator passará por uma série de testes para verificar o funcionamento dos sistemas e equipamentos da usina.
O reinício envolve uma única unidade entre os sete reatores da usina, que possui capacidade total de geração considerada a maior do mundo.
O complexo recebeu reforços de segurança importantes, incluindo um quebra-ondas de 15 metros contra tsunamis, novos sistemas de energia de emergência instalados em altura, portas estanques e outros dispositivos para controlar materiais radioativos.
A operadora TEPCO é a mesma que controlava a usina Fukushima-Daiichi atingida pelo desastre em 2011.

Divisão entre população e autoridades
O governador de Niigata autorizou a retomada do reator, mesmo com uma opinião pública dividida. Uma pesquisa feita em setembro indicou que 60% dos moradores são contra a reativação e 37% a favor, segundo o Le Monde.
Nos dias anteriores, alguns protestos foram registrados, com dezenas de pessoas idosas se manifestando sob a neve perto da entrada da usina. Moradores continuam preocupados com falhas passadas, riscos sísmicos e planos de evacuação considerados insuficientes.
No início de janeiro, uma petição com cerca de 40 mil assinaturas foi entregue à TEPCO e à Autoridade de Regulação Nuclear do Japão, reforçando a resistência da população local.
A TEPCO admitiu que um sistema de alerta não funcionou em testes antes do reinício. O presidente da empresa, Tomoaki Kobayakawa, destacou que "sempre há riscos de erro humano ou falha de equipamentos. Nossa prioridade é detectar problemas, corrigi-los e agir com humildade", informou o Le Monde.
Apesar das melhorias e das autorizações oficiais, preocupações permanecem, incluindo incidentes menores e escândalos recentes de falsificação de dados sísmicos por outra empresa, a Chubu Electric Power.
Especialistas e moradores alertam que a região é ativa sismicamente, com um terremoto violento registrado em 2007.


