Ministro do STJ denunciado por assédio sexual é internado no DF

06/02/2026

Marco Buzzi formalizou pedido de licença médica nesta quinta-feira (5) e está em um hospital, em Brasília; ele nega acusações de jovem de 18 anos

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi formalizou um pedido de licença médica, nesta quinta-feira (5) e encontra-se internado em um hospital de Brasília, no Distrito Federal, sem expectativa de alta.

Marco Buzzi está sendo investigado por assédio sexual; a denúncia foi feita por uma jovem de 18 anos, filha de um casal amigo do magistrado, que relatou ter sido vítima de Buzzi durante uma viagem a Balneário Camburiú (SC), no início do ano.

O pedido de licença foi apresentada pelo ministro ao presidente do STJ, Herman Benjamin.

Na quarta-feira (4), o órgão emitiu nota informando que o Pleno da Corte se reuniu em sessão extraordinária e deliberou, por unanimidade, pela instauração de sindicância para a apuração dos fatos atribuídos ao ministro.

Após a deliberação, ainda conforme informou o STJ, foram sorteados os ministros Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira como membros da comissão encarregada da apuração.

O gabinete do ministro também se manifestou, negando as acusações.

Em nota, o gabinete informou a imprensa que o ministro foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas, as quais não correspondem aos fatos".

"Repudia, nesse sentido, toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio", acrescentou.

O processo

Segundo nota da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) à reportagem, a denúncia contra Marco Buzzi foi registrada no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do foro privilegiado do ministro.

Questionado novamente pela imprensa sobre o trâmite do processo, o STF repetiu, nesta quinta, que "não tem informações, até o momento".

A comissão do STJ encarregada pela apuração da denúncia de crime sexual tem competência para requerer todas as provas e pedir o afastamento do ministro, se julgar cabível.

Além deste procedimento interno do STJ e de responder criminalmente no inquérito encaminhado ao STF, Marco Buzzi vai responder ainda, disciplinarmente, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no âmbito da Corregedoria Nacional de Justiça, onde o processo tramita em sigilo.

Nesta quinta-feira, a jovem de 18 anos que acusa o ministro prestou depoimento ao CNJ durante mais de 2 horas e confirmou a denúncia que fez contra o magistrado.

Na oitiva, a jovem reafirmou o que havia relatado à Polícia Civil sobre o ocorrido no dia 9 de janeiro, em Balneário Camboriú (SC), detalhando o comportamento de Marco Buzzi, que é alvo de investigação.