MP quer que jovem indenize amigo que se perdeu no Pico do Paraná

Roberto Thomaz ficou 5 dias desaparecido, depois que a amiga Thayane Smith o deixou para trás; Ministério Público apontou crime de omissão de socorro

O Ministério Público do Paraná (MPPR) apontou crime de omissão de socorro e pede indenização da jovem Thayane Smith, no caso ocorrido no Pico do Jaraguá, na virada de ano, quando Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, se perdeu na trilha do retorno da montanha e ficou cinco dias desaparecido.
O caso teve grande repercussão. Thayane Smith acompanhava Roberto na trilha e, segundo seu relato, o deixou para trás, alegando que ele estava muito lento.
O entendimento do MP foi apresentado pela 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, e diverge da conclusão da Polícia Civil (PC-PR), que decidiu pelo arquivamento do inquérito por não identificar crime.
Os dois subiram o pico no dia 31 de dezembro de 2025 para ver o nascer do sol, e o desaparecimento ocorreu no retorno, no dia 1° de janeiro.
O MP entendeu que Thayane abandonou Roberto, mesmo após perceber que ele estava em situação de risco.
"A partir da análise dos fatos e das informações contidas nos depoimentos prestados, mesmo após a constatação da situação de vulnerabilidade da vítima e dos riscos que ele corria, a jovem permaneceu sem a intenção de auxiliar nas buscas, demonstrando "interesse apenas em seu próprio bem-estar físico", mesmo após ser alertada dos riscos da situação por outros montanhistas", diz o MPPR.
Ainda na manifestação, o MPPR sustenta que "a conduta da investigada reveste-se de dolo, uma vez que tinha plena consciência da debilidade física da vítima (que já havia vomitado e caminhava com dificuldade), das condições perigosas do local (eis que se tratava de trajeto difícil, com montanhas altas, com chuva, frio e neblina) e, ainda assim, optou reiteradas vezes por deixá-lo à própria sorte".
A infração penal de omissão de socorro está prevista no Código Penal e é descrita como o ato de "deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública".
A pena máxima prevista é de seis meses de detenção.
Transação penal
Com o entendimento, a Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul solicitou o envio do processo ao Juizado Especial Criminal da comarca e propôs a realização de transação penal com a investigada.
Para reparar dos danos materiais e morais causados a Roberto, o MPPR propõe o pagamento de três salários-mínimos, o correspondente a R$ 4.863,00, ao jovem.
Também é proposto o pagamento de R$ 8.105,00 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, órgão que realizou a busca pela vítima por cinco dias, em razão do trabalho realizado no período.
Além disso, sugere a determinação de prestação de serviços à comunidade por Thayane, que deverão ser realizados pelo prazo de três meses, por cinco horas semanais, junto à corporação, em Campina Grande do Sul.
Roberto Thomaz foi resgatado, depois de chegar caminhado em uma fazenda da região. Foi levado a um hospital e recebeu atendimento médico.


