Neuropediatra diz que canabidiol não é indicado para autismo

Substância teria evidências e estudos em doenças crônicas e outras comorbidades, afirma José Salomão Schwartzman

O médico José Salomão Schwartzman, referência no Transtorno do Espectro Autista (TEA) e em distúrbios do desenvolvimento, aborda os avanços no diagnóstico precoce e a importância da inclusão e do suporte especializado no Brasil.
Em entrevista, ao Roda Viva desta segunda-feira (6), o especialista revelou que os tratamentos utilizados para a condição não tem eficácia comprovada e seus efeitos são limitados, entre eles o uso de medicamentos à base de canabidiol.
Todos os estudos feitos com canabidiol em autismo refletem discretas melhoras em alguns aspectos, como na comunicação e na diminuição de estereotipias. Mas, se você considerar as grandes pesquisas, com todo o material já produzido, não há nenhuma evidência de que o canabidiol, tal como ele existe hoje, ajude no autismo. Pode ajudar em casos de epilepsia refratária, mas não no autismo. Afirma José Salomão.
O neuropediatra abordou outros temas relevantes, com foco no tratamento do TEA, diagnóstico e formação dos médicos no Brasil, surpreendendo com o seu ponto de vista.
O médico brasileiro não tem, em geral, uma formação adequada do ponto de vista do desenvolvimento, não só do desenvolvimento neurológico. Muito frequentemente, o médico formado no Brasil é um profissional que faz puericultura, que reconhece as doenças mais tradicionais, mais fáceis de serem observadas, e conhece pouquíssimo sobre questões como deficiência intelectual, que, lamentavelmente, acabam sendo da alçada do especialista. Afirma o médico
Identificando o TEA
José Salomão afirma que, o diagnóstico de autismo não deveria ser feito apenas por especialistas, considerando que é algo frequente e de extrema importância e precisa ser identificado precocemente. Segundo ele, não há um gatilho específico que possa desencadear o espectro, pois no modo geral é necessário uma avaliação mais detalhada.
O autismo, hoje, você considera que é uma desordem que depende fundamentalmente, na maioria dos casos, de uma genética que é a base para que você possa ser autista e, muito frequentemente, você precisa de um gatilho. diz José Salomão
O médico cita exemplos claros com base nos casos que já acompanhou em seu consultório e em pesquisas. De acordo, com Salomão, a carga genética é predominante e não é necessário um gatilho para identificar o tipo de transtorno de TEA.
Se você tiver uma carga genética muito forte, eu não preciso do gatilho. Tem família que tem seis filhos autistas. Eu tenho famílias que têm filho, neto, bisneto, tataravô autistas. Nesses casos, a carga genética é de tal importância que eu não preciso de um gatilho. ressalta o neuropediatra
Críticas a definição do TEA
Em meio aos avanços tecnológicos na saúde, José Salomão Schwartzman critica o desequilíbrio nos diagnósticos.
O espectro foi crescendo, foi aumentando. Então, você passou a ter o nível 3 de suporte, o nível 2, o nível 1, e você passou a ter pessoas que têm várias manifestações de autismo e não são autistas, que preenchem todos os critérios. E aí você inventa um nome, que é o fenótipo autista, e você tem o mais próximo do normal, só que para você não é tão normal. Eu vou ampliando o espectro e constituindo um frankenstein. É impossível que seja a mesma coisa. explicou Salomão
O especialista respondeu à questão se a definição do espectro autista estaria defasada em pleno 2026.
Um monte deles não são autistas. Se eu estender um pouquinho do que eu entendo sobre espectro, cabe muita gente. completou José Salomão


