Noelia Castillo morre após mais de 600 dias esperando eutanásia

Embora tivesse o direito garantido pela lei, o pai tentou barrar o procedimento até poucas horas antes da realização, sem sucesso

Noelia Castillo, de 25 anos morreu na tarde desta quinta-feira (26) após passar por eutanásia. Ela esperou 601 dias desde o primeiro pedido até a realização do procedimento, mesmo já tendo o direito garantido. As informações são do jornal El País.
A jovem vivia em uma instituição de cuidados de saúde em Barcelona, na Espanha, com dores crônicas e sofrimento psicológico.
Mesmo com a autorização para a eutanásia, o processo virou uma disputa judicial. A confirmação da morte veio da associação Abogados Cristianos, que representava o pai da jovem nos processos.
O pai tentou impedir a decisão em cinco tribunais diferentes. Todos os pedidos foram negados pela Justiça, com a última tentativa recusada poucas horas antes da morte.
"Quero ir embora em paz e parar de sofrer, ponto final", disse a jovem em entrevista à TV local.

O porquê da decisão
Após a separação dos pais, Noelia chegou a ficar sob responsabilidade do governo da Catalunha. A jovem também relatou ter sofrido violência sexual e já havia tentado tirar a própria vida outras vezes.
Em outubro de 2022, depois de sofrer um estupro coletivo, ela tentou suicídio ao pular de um prédio. Com a queda, ficou paraplégica e a partir daí que decidiu pedir a eutanásia.
O pedido foi aprovado em julho de 2024 por uma comissão médica da Catalunha. O grupo concluiu que ela tinha uma condição sem chance de melhora, com dor constante, grande dependência de cuidados e sofrimento intenso.
Nos últimos dias de vida, Noelia recebeu visitas da mãe, da avó e do pai.
"Quero morrer bonita, arrumada. Vou colocar o vestido mais lindo que tenho e me maquiar", comentou a jovem.
Protestos
Antes da realização da eutanásia, a associação Abogados Cristianos convocou uma vigília em frente ao local onde Noelia estava. Cerca de 50 pessoas participaram rezando por aproximadamente uma hora.
O advogado da família disse que todos estavam unidos "em defesa da vida" da jovem, segundo o El País.
Integrantes do Partido Popular classificaram a situação como triste e falaram em "falha do Estado". Já a Conferência Episcopal Espanhola afirmou que o sofrimento da jovem é comovente, mas que a solução não seria a morte.
O governo da Espanha adotou um tom mais neutro e declarou que respeita a decisão e o direito da paciente.



