Noelia Castillo morre após mais de 600 dias esperando eutanásia

27/03/2026

Embora tivesse o direito garantido pela lei, o pai tentou barrar o procedimento até poucas horas antes da realização, sem sucesso

Noelia Castillo, de 25 anos morreu na tarde desta quinta-feira (26) após passar por eutanásia. Ela esperou 601 dias desde o primeiro pedido até a realização do procedimento, mesmo já tendo o direito garantido. As informações são do jornal El País.

A jovem vivia em uma instituição de cuidados de saúde em Barcelona, na Espanha, com dores crônicas e sofrimento psicológico.

Mesmo com a autorização para a eutanásia, o processo virou uma disputa judicial. A confirmação da morte veio da associação Abogados Cristianos, que representava o pai da jovem nos processos.

O pai tentou impedir a decisão em cinco tribunais diferentes. Todos os pedidos foram negados pela Justiça, com a última tentativa recusada poucas horas antes da morte.

"Quero ir embora em paz e parar de sofrer, ponto final", disse a jovem em entrevista à TV local.

O porquê da decisão

Após a separação dos pais, Noelia chegou a ficar sob responsabilidade do governo da Catalunha. A jovem também relatou ter sofrido violência sexual e já havia tentado tirar a própria vida outras vezes.

Em outubro de 2022, depois de sofrer um estupro coletivo, ela tentou suicídio ao pular de um prédio. Com a queda, ficou paraplégica e a partir daí que decidiu pedir a eutanásia.

O pedido foi aprovado em julho de 2024 por uma comissão médica da Catalunha. O grupo concluiu que ela tinha uma condição sem chance de melhora, com dor constante, grande dependência de cuidados e sofrimento intenso.

Nos últimos dias de vida, Noelia recebeu visitas da mãe, da avó e do pai.

"Quero morrer bonita, arrumada. Vou colocar o vestido mais lindo que tenho e me maquiar", comentou a jovem.

Protestos

Antes da realização da eutanásia, a associação Abogados Cristianos convocou uma vigília em frente ao local onde Noelia estava. Cerca de 50 pessoas participaram rezando por aproximadamente uma hora.

O advogado da família disse que todos estavam unidos "em defesa da vida" da jovem, segundo o El País.

Integrantes do Partido Popular classificaram a situação como triste e falaram em "falha do Estado". Já a Conferência Episcopal Espanhola afirmou que o sofrimento da jovem é comovente, mas que a solução não seria a morte.

O governo da Espanha adotou um tom mais neutro e declarou que respeita a decisão e o direito da paciente.


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