PM acusado de matar esposa se aposenta com salário de R$ 28,9 mil

Tenente-coronel virou inativo enquanto responde por feminicídio; ato foi publicado nesta sexta-feira (02) no Diário Oficial do Estado de São Paulo

O tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto foi aposentado pela corporação, mesmo estando preso por suspeita de matar a própria esposa, também policial. A decisão saiu no Diário Oficial do Estado de São Paulo nesta quinta-feira (02) e já garante pagamento integral proporcional ao tempo de serviço.
A aposentadoria foi assinada pela Diretoria de Pessoal da PM e coloca o oficial na reserva com remuneração calculada em 58/60 do tempo de carreira, no padrão de salário da função que ocupava. O ato não trata das acusações criminais.
Antes da prisão, em fevereiro de 2026, ele recebeu R$ 28,9 mil brutos, segundo o Portal da Transparência do Governo de São Paulo.
O policial está preso desde março, suspeito de matar a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. A investigação aponta feminicídio e fraude processual.
A Justiça já negou pedidos de liberdade feitos pela defesa. O caso, que inicialmente foi tratado como suicídio, mudou de rumo após laudos indicarem marcas no corpo da vítima e inconsistências no relato do oficial.

Prisão e investigação seguem
A Polícia Civil pediu a prisão após concluir o inquérito. Os investigadores apontaram indícios de feminicídio e tentativa de alterar a cena.
Peritos identificaram lesões no pescoço e no rosto de Gisele. Também houve dúvida sobre a posição da arma e o comportamento do oficial no momento do socorro.
Um dos pontos levantados foi o relato de que ele estaria no banho quando o disparo aconteceu. Socorristas disseram que ele estava seco e que não havia sinais de água no imóvel.
Outro trecho da investigação aponta que o oficial tomou banho depois que a vítima foi socorrida e levada ao hospital. A toalha usada foi recolhida e apresentou vestígios de sangue.
Testemunhas também relataram que policiais estiveram no apartamento horas depois e fizeram uma limpeza no local. Imagens de câmeras mostram o oficial voltando ao imóvel e saindo pouco tempo depois com objetos.
Geraldo nega o crime. Ele afirmou que a esposa atirou contra a própria cabeça.
O que muda na prática
Com a publicação da aposentadoria, Geraldo deixa de atuar na Polícia Militar e passa a receber como inativo. A decisão administrativa não interfere no processo criminal, que segue na Justiça.
Se condenado, ele ainda pode perder o posto e a patente em decisão própria da Justiça Militar.
A defesa do oficial afirma que aguarda o julgamento dos pedidos apresentados e mantém a versão de que não houve crime.


