Quem era o padre de 103 anos que morreu enquanto rezava Ave Maria

José Luciano Jacques Penido, redentorista mineiro, faleceu na Igreja de Santo Afonso, no Rio de Janeiro, durante oração comunitária
Um padre de 103 anos morreu enquanto rezava a Ave Maria na Igreja de Santo Afonso, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, na sexta-feira (14) da última semana.
José Luciano Jacques Penido, da Congregação do Santíssimo Redentor, passou mal por volta das 18h, durante a oração comunitária com outros cinco sacerdotes da casa, e não resistiu.
A Arquidiocese do Rio informou que o religioso faleceu em oração, no espaço onde vivia desde 1975.
O sepultamento ocorreu no dia 11, no Cemitério Provincial Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais.
Uma vida inteira dedicada ao sacerdócio
Nascido em Belo Vale, também no Minas Gerais, em 18 de outubro de 1922, Penido sonhava em ser padre desde a infância. Ainda menino, reproduzia em casa as homilias que ouvia nas missas de domingo.
Entrou no seminário redentorista aos 11 anos e foi ordenado sacerdote em 1947, iniciando uma trajetória que somou 78 anos de sacerdócio e 83 de vida religiosa.
Ao longo da carreira, passou por cidades de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e por Roma, onde estudou e chegou a atuar como vice-diretor da Rádio Vaticano no fim da década de 1960.
Também foi superior provincial dos redentoristas no antigo território do Rio por dois mandatos consecutivos, entre 1962 e 1967, período marcado por reorganizações internas da congregação.
Desde meados da década de 1970, se estabeleceu definitivamente na Paróquia Santo Afonso, onde se tornou uma referência para gerações de fiéis.
Segundo a Arquidiocese, era reconhecido pela escuta atenta, pela simplicidade no trato e pela presença constante na rotina paroquial.
Preservar a memória da escravidão
Além do trabalho pastoral, Penido deixou um legado fora dos muros da Igreja.
Em Belo Vale, sua cidade natal, fundou o Museu do Escravo, dedicado à preservação da memória da escravidão no Brasil.
O acervo reúne peças históricas relacionadas à exploração de africanos escravizados e à resistência negra ao longo de mais de três séculos.
A iniciativa transformou o padre em uma referência local na defesa da memória histórica, o que aproximou o debate sobre a escravidão de comunidades do interior mineiro.
Reconhecimento no centenário
Em 2022, ao completar 100 anos, Penido recebeu a bênção apostólica enviada pelo papa Francisco e uma carta do superior-geral dos redentoristas, padre Rogério Gomes, em reconhecimento à trajetória dedicada à congregação.
A morte, ocorrida enquanto rezava uma das principais orações do catolicismo, pode ser descritas como coerente com a forma como viveu: ligado à rotina comunitária e à prática diária da fé.




