Raul Jungmann, ex-ministro, morre aos 77 anos

19/01/2026

Com carreira marcada por temas como defesa, agrária e segurança pública ele faleceu em Brasília após combater câncer no pâncreas

O ex-ministro Raul Belens Jungmann Pinto, de 77 anos, morreu na noite deste domingo (18), em Brasília, após uma prolongada batalha contra um câncer no pâncreas, doença que vinha tratando há alguns anos. Ele estava internado no Hospital DF Star, depois de um agravamento recente de sua condição de saúde.

Nascido em 3 de abril de 1952, no Recife (PE), Jungmann construiu uma das carreiras mais diversificadas e influentes da política brasileira nas últimas décadas.

Antes de ocupar cargos de alto escalão no governo federal, iniciou sua vida pública ainda jovem, participando do movimento Diretas Já e filiado ao então MDB, passando depois pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, posteriormente, ajudando a fundar o Partido Popular Socialista (PPS), pelo qual exerceu mandatos como deputado federal.

Sua trajetória no serviço público começou em cargos técnicos e de gestão: já na década de 1990, presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), antes de assumir o Ministério do Desenvolvimento Agrário de 1999 a 2002, na presidência de Fernando Henrique Cardoso, período em que participou da formulação de políticas de reforma agrária e desenvolvimento rural.

Ele adicionou à sua carreira também atuação parlamentar sólida: foi eleito deputado federal por Pernambuco em três mandatos, destacando-se em comissões como a de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, além de liderar a Frente Parlamentar de Controle de Armas, Paz e Vida, que deu suporte à implementação do Estatuto do Desarmamento.

No governo Michel Temer, Jungmann ganhou proeminência nacional ao assumir o Ministério da Defesa em maio de 2016, liderando as Forças Armadas brasileiras durante desafios institucionais e operações de segurança em todo o país. Em fevereiro de 2018, decidiu-se pela criação do Ministério da Segurança Pública, e Jungmann foi nomeado seu primeiro titular, cargo que ocupou até o início de 2019. A pasta, criada para integrar ações de policiamento e políticas nacionais de segurança, foi um marco em sua atuação no Executivo.

Após deixar o governo federal, ele continuou participando de debates públicos sobre defesa, segurança e democracia, inclusive defendendo limites à atuação militar no Executivo e analisando riscos políticos em entrevistas e artigos.

Além de sua carreira política, Jungmann foi reconhecido academicamente e recebeu títulos que celebraram sua contribuição ao serviço público brasileiro, como o Doutor Honoris Causa concedido em 2025 em reconhecimento à sua longa trajetória nas áreas de políticas públicas, defesa e segurança.

A notícia sobre as cerimônias fúnebres, velório e demais homenagens ainda não foi oficialmente divulgada pelas autoridades ou pela família.