Relator da CPI detalha crime organizado em caso Master

03/03/2026

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado explicou como se formou o escandâlo que hoje envolve ministros do STF

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou nesta segunda-feira (2), que pessoas que possuem dinheiro e influência por "regra estão impunes", fazendo uma associação ao caso de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

"Nossa luta é para evitar que isso aconteça, mas a regra do jogo, como está posta, ela caminha nesse sentido. No Brasil, quem tem dinheiro e tem conexões, em regra são impunes. Estamos numa janela de oportunidade para uma mudança. Não é possível achar normal servidores públicos, mesmo que em altos cargos, tenha um padrão de vida de um milionário", disse o senador

Ainda de acordo com ele, há um vírus em alguns membros do judiciário que utilizam do cargo para se beneficiar e privilegiar terceiros, como foi o caso do ministro Dias Toffoli, que é citado nas investigações do banco Master por ter comprado a participação de irmãos do ministro em um resort na cidade de Ribeirão Claro, no Paraná.

"Temos uma elite no judiciário que inventa normas para aumentar a própria remuneração, para favorecer interessados por vários motivos e agora com muito mais força, inventa normas para se favorecer. A gente vai ter que romper essa blindagem em algum momento", continuou ele

Ele continua, explicando o porque foi mais fácil quebrar o sigilo de filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no caso do INSS, do que um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Existem barreiras de blindagem da elite que já foram foram rompidas no Brasil. Já tivemos presidente preso, já teve senador, deputado, governadores, todas as pessoas que você já pensou nessa cadeia de poder, mas não temos um ministro sequer investigado. Tento fazer apuração de ministros desde 2019 e sei o tamanho da dificuldade. O outro fator é o clima político, a necessidade que se teve naquela CPMI do INSS de se fazer uma movimentação que tem relevância sob o ponto de vista da investigação, que as notícias apontam que alguma movimentação aconteceu entre o filho do presidente Lula e o Careca do INSS e isso também precisa ser esclarecido, que terminou em socos e pontapés", continuou ele
Quando questionado sobre o motivo dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estarem sendo investigados pela comissão, já que ela foi criada para apurar a "atuação e expansão de organizações criminosas no Brasil", o senador afirmou que é na CPI do Crime Organizado que também cabe investigação relacionada aos ministros.

"Todos os crimes se encontram na lavagem de dinheiro porque o crime organizado depende fundamentalmente de infiltração no estado e de equipamentos para lavagem de dinheiro. E onde que chegamos através da CPI? Quando chegam as informações do fundo realiza que transaciona através do Banco Master, e que segundo denúncia do Ministério Público Federal (MFP), faz lavagem para o PCC. Mas adiante temos a notícia que os recursos que transitam por esses fundos são de familiares do ministro Dias Toffoli. É um fato relevante que precisa ser apurado", disse ele.

"É muito mais evidente, neste momento, as contratações da empresa dos familiares de Dias Toffoli por causa da negociação imobiliária nebulosa, porque o ministro se posicionava como sócio oculto e depois ele reconhece para interlocultores que recebeu algo como R$ 15 milhões ou R$ 18 milhões dessa fonte. Mas a gente começa identificando como esse recurso chega até essa empresa. Quebramos os sigilos para acesso ao relatório financeiro para entender esse fluxo e se de fato é uma sociedade de três irmãos que divide os proventos ou se é apenas um laranjal que serve para canalizar dinheiro para o ministro", continuou ele.

A bancada de entrevistadores foi formada por: Mônica Bergamo, colunista da Folha de S.Paulo e da BandNews FM; Marcelo Godoy, colunista e repórter especial do jornal O Estado de S.Paulo; Irapuã Santana, colunista do jornal O Globo; Valmir Salaro, repórter investigativo; e Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e professor de Jornalismo da Faap.