Trump descarta uso de arma nuclear em guerra contra Irã

Presidente afirma que EUA já "dizimaram" forças iranianas sem ataque nuclear e diz que acordo só será fechado quando considerar adequado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (23) que não pretende usar armas nucleares na guerra contra o Irã por já ter conquistado os objetivos dele com o armamento convencional. A declaração foi dada após ele ser questionado por repórteres na Casa Branca.
Por que eu usaria uma arma nuclear? Nós os dizimamos completamente, de uma forma muito convencional. Donald Trump
Em seguida, completou: "Não, eu não a usaria. Ninguém deveria ter permissão para usar uma arma nuclear".
A fala ocorre após declarações feitas semanas antes, quando Trump disse que "uma civilização inteira morreria" caso o Irã não aceitasse um acordo, o que gerou questionamentos sobre a possibilidade de escalada no conflito.
O presidente também disse que não tem pressa para fechar um acordo de longo prazo.
Quero fazer o melhor acordo possível. Poderia fechar agora, mas não quero. Quero que seja eterno. Donald Trump
Segundo ele, eventuais reforços militares iranianos durante o cessar-fogo poderiam ser neutralizados "em um dia".
Ataques consomem estoque de mísseis dos EUA, diz NYT
Um relatório publicado pelo The New York Times nesta quinta-feira (23) aponta que a guerra contra o Irã tem reduzido de forma significativa o estoque de armamentos dos Estados Unidos.
Segundo a reportagem, as forças americanas já utilizaram cerca de 1.100 mísseis de cruzeiro de longo alcance do tipo JASSM-ER, além de mais de 1.000 mísseis Tomahawk.
Também foram usados mais de 1.200 interceptores Patriot e cerca de 1.000 mísseis táticos de ataque terrestre.
Os números, baseados em estimativas internas do Departamento de Defesa e em dados de congressistas, indicam que essa parte relevante do arsenal foi usada no conflito. A reposição desses sistemas pode levar anos, se for considerar o ritmo atual de produção.
O texto também aponta que equipamentos foram deslocados de bases na Ásia e na Europa para sustentar as operações no Oriente Médio, o que reduz a disponibilidade em outras regiões.
A Casa Branca contestou a interpretação da reportagem. A porta-voz afirmou que os Estados Unidos mantêm capacidade militar suficiente para qualquer operação.
Guerra começou em fevereiro e segue sem acordo
O conflito teve início no fim de fevereiro, após ataques de Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. As ações atingiram estruturas militares e áreas estratégicas do país.
Desde então, houve resposta iraniana com mísseis e drones contra bases americanas e alvos ligados a Israel no Oriente Médio. A escalada levou ao fechamento intermitente do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo.
Um cessar-fogo foi anunciado no início de abril, com duração inicial de duas semanas, e acabou prorrogado sem prazo definido. Mesmo assim, operações militares continuam em diferentes pontos da região.
Os Estados Unidos mantêm bloqueio naval contra portos iranianos desde o dia 13 de abril. Ao mesmo tempo, negociações seguem abertas, sem definição de data para um acordo.
Trump afirmou que só encerrará o conflito quando considerar que os termos são favoráveis aos Estados Unidos e aliados. "Tenho todo o tempo do mundo, mas o Irã não", escreveu em rede social.


