Trump diz que terá domínio da Groenlândia, custe o que custar

Declaração feita em voo presidencial menciona riscos geopolíticos, pressão sobre Copenhague, reação europeia e planos militares no Ártico

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou no domingo (11) que Washington pretende assumir o controle da Groenlândia"de uma forma ou de outra". A fala ocorreu durante conversa com repórteres a bordo do Air Force One, na viagem de retorno à Casa Branca após agenda na Flórida, conforme noticiado pela NBC.
Ao comentar o tema, Trump argumentou que a medida seria estratégica para conter a influência de adversários globais na região. Segundo ele, a ausência norte-americana abriria espaço para avanços de Rússia ou China. Embora tenha indicado preferência por um entendimento diplomático com o Reino da Dinamarca, o presidente deixou claro considerar inevitável algum grau de controle dos EUA sobre o território.
Uma representante da Casa Branca confirmou que há discussões internas sobre como poderia funcionar uma eventual aquisição da ilha. O governo dinamarquês, por sua vez, voltou a afirmar publicamente que o território autônomo não está à venda. Lideranças europeias reagiram negativamente às declarações, reforçando a oposição à ideia.
O interesse norte-americano se explica pela localização estratégica da Groenlândia, situada no trajeto mais curto entre a Europa e a América do Norte. A área é vista como peça-chave para sistemas de alerta antecipado contra mísseis e para o acompanhamento de movimentações navais no Atlântico Norte.
Além disso, Washington estuda ampliar sua presença militar no entorno, com a instalação de radares voltados ao monitoramento do corredor entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido, rota sensível por onde transitam navios e submarinos russos. O Ártico, nos últimos anos, tem sido palco de crescente militarização, envolvendo países da Otan, além de Rússia e China.


