Bolsonaro repete versão de conserto de arma em depoimento à PCDF

O ex-presidente foi ouvido, por 5 minutos, em sua residência onde cumpre prisão domiciliar, sobre pistola em seu nome apreendida em blitz de trânsito

O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento de cinco minutos, na tarde desta terça-feira (23), à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar humanitária desde março.
O ex-presidente foi ouvido no âmbito do inquérito que apura a apreensão de uma arma registrada em seu nome durante uma blitz de trânsito, na semana passada.
Os investigadores queriam entender porque a arma de Bolsonaro circulava sem documentação e distante da residência, no carro de Estácio Leite da Silva Filho, militar vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança do ex-presidente.
Segundo a defesa de Bolsonaro, que acompanhou a oitiva, ele foi ouvido por cerca de 5 minutos e reafirmou que havia pedido ajuda ao militar da segurança presidencial após identificar que a pistola Glock 9mm não estava funcionando.
Essa versão já tinha sido dada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que pediu explicações à sua defesa no dia seguinte à apreensão.
Ele disse ainda aos policiais que não pediu ao militar para levar a arma para o conserto; teria apenas pedido para checar seu funcionamento.
Apreensão em blitz
A apreensão do revólver de Bolsonaro ocorreu na noite desta segunda-feira (15), em Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal, durante uma blitz da Polícia Militar (PM).
A arma foi apreendida e o caso seguiu para investigação pela Polícia Civil do DF, com acompanhamento do STF, já que o ex-presidente c umpre pena desde sua condenação por tentativa de golpe de Estado, em prisão domiciliar, com medidas cautelares.
Uma consulta ao sistema do Exército confirmou o registro no nome do ex-presidente e a documentação regular, porém, a pistola foi recolhida pela Polícia Civil porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo.
O militar que dirigia o veículo parado na blitz prestou depoimento e foi liberado.
A defesa alega precaução
Em documento enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a defesa disse que integrantes da equipe de segurança do ex-presidente decidiram, sem conhecimento prévio de Bolsonaro, retirar o percussor da arma, peça essencial para o disparo.
Quando foi manusear o ferrolho e notou a falha, o ex-presidente entregou a arma ao segurança e solicitou o reparo.

Isso teria ocorrido por precaução, porque Bolsonaro faz uso de medicamentos psiquiátricos que afetam sua cognição, o que poderia causar um acidente.
Os advogados mencionaram no documento o episódio da tornozeleira eletrônica, em 22 de novembro do ano passado, quando Bolsonaro tentou violar o equipamento com um ferro de solda. Depois, ele alegou alucinação e uma certa paranoia, provocada pelo uso dos medicamentos.
Decisão sobre prisão domiciliar
O depoimento ocorreu 48 horas antes de vencer o prazo para o ministro Alexandre de Moraes decidir se a prisão domiciliar de Bolsonaro será mantida.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo de trama golpista e cumpre prisão domiciliar temporária desde o dia 27 de março deste ano. Na época, os advogados afirmaram ao STF que Bolsonaro não tinha condições de voltar para a prisão devido ao agravamento dos problemas de saúde do ex-presidente, que, à época, se recuperava uma pneumonia bacteriana.
O ministro então autorizou a prisão domiciliar humanitária por 90 dias e estipulou que, depois disso, a partir de exames atuais solicitados à defesa, decidiria se Bolsonaro retornari para o presídio onde estava cumprindo pena ou permaneceria em casa.
Na prisão domiciliar temporária, Bolsonaro está sob o monitoramento de tornozeleira eletrônica e só pode receber visitas com autorização do STF.


