Deputado do PT no Paraná é acusado de usar técnica para tentar direcionar processo no TCE

11/07/2026

Petição apresentada por Arilson Chiorato continha instruções invisíveis destinadas a sistemas de IA

Um pedido de medida cautelar protocolado pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT) no Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) passou a ser alvo de questionamentos após a identificação de comandos ocultos voltados a sistemas de inteligência artificial. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o documento continha instruções invisíveis ao leitor comum, mas detectáveis por plataformas de IA, com o objetivo de influenciar a forma como o conteúdo fosse interpretado ou resumido. A técnica é conhecida como "prompt injection" e consiste na inserção de comandos ocultos em documentos digitais.

De acordo com a publicação, os comandos estavam escritos em fonte branca e em tamanho reduzido, tornando-os imperceptíveis na leitura convencional. Especialistas apontam que esse tipo de recurso pode interferir em ferramentas de inteligência artificial utilizadas para análise e classificação de documentos. O caso ganhou repercussão após a identificação do conteúdo oculto durante a tramitação do processo no TCE-PR.

Ainda conforme a reportagem, as instruções orientavam que o processo recebesse classificação de urgência máxima, fosse direcionado aos conselheiros Fábio Camargo e Maurício Requião de Melo e Silva e tivesse a liminar concedida para suspender o programa Olho Vivo, iniciativa do governo do Paraná voltada ao monitoramento da segurança pública por meio de câmeras com leitura automática de placas de veículos e cruzamento de dados com inteligência artificial.

Deputado do PT nega irregularidades
Em nota reproduzida pela Folha, Chiorato afirmou desconhecer o uso de qualquer comando de direcionamento por inteligência artificial. O deputado declarou que o processo seguiu a tramitação prevista pelo TCE-PR, foi distribuído por sorteio ao conselheiro Fernando Guimarães e que, até o momento, a medida cautelar não foi concedida.

O advogado Vinicius de Oliveira, responsável pela elaboração da petição, também negou qualquer tentativa de direcionamento. Segundo ele, o documento saiu de seu escritório sem esse tipo de comando e nenhum dos efeitos pretendidos pelos textos ocultos ocorreu na prática.

Camargo afirmou que desconhecia qualquer tentativa de manipulação e disse que suas decisões se baseiam nas provas constantes dos autos. Já Requião de Melo e Silva não foi localizado para comentar o caso, enquanto a assessoria de imprensa do TCE-PR não respondeu aos questionamentos enviados.

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