Diretor do Cemsa divulga vídeo e se defende de denúncias de maus-tratos a animais
Biólogo detalhou os protocolos operacionais do órgão em vídeo divulgado no Instagram

O diretor do Centro Municipal de Saúde Animal (Cemsa) de Apucarana (PR), o biólogo Fernando Felippe, conhecido como Repórter Selvagem, divulgou um vídeo na noite deste sábado (18) se defendendo das denúncias de maus-tratos que culminaram em sua detenção na última quinta-feira (16). A ação ocorreu durante uma fiscalização do Ministério Público do Paraná (MP-PR). Em sua defesa, Felippe argumentou sobre as fotos e vídeos que mostram baias sujas e animais mortos armazenados em refrigeradores e detalhou os protocolos operacionais do órgão.
O biólogo explicou que o congelamento de animais mortos é uma exigência sanitária em todo o país para evitar a putrefação até o recolhimento por uma empresa especializada, que, segundo ele, ocorre uma vez por semana. "Toda clínica veterinária é obrigada a ter esse congelador para manter os animais que depois são levados par incineração", explicou.
Sobre a sujeira nas instalações, Felippe afirmou que as fotos foram feitas antes do horário programado para a higienização. Segundo ele, a limpeza é realizada diariamente às 8 horas e às 15 horas.
"Quando chegamos 8 horas da manhã as baias estão extremamente sujas. Por isso temos funcionários para fazer a limpeza e manutenção das baias. A gente pode ver em uma das fotos que tem uma mangueira, isso significa que o funcionário tirou a foto antes da limpeza. Então, pessoal, eu tenho certeza que, desde que existe o Cemsa até hoje, todos os dias cedo, quando os tratadores chegam lá, as baias estão daquela forma, com ração jogada, porque os animais brincam dentro da ração, eles cavucam. Então dá a impressão ali que não é feita a limpeza, mas é sim. Mas tirar a foto antes da limpeza, aí é complicado. Isso é forjar as coisas", declarou o diretor no vídeo.
Outro ponto levantado pela fiscalização foi a presença de cães amarrados nos portões e animais doentes sem o devido tratamento. Felippe esclareceu que a amarração é um procedimento de triagem temporário para evitar brigas enquanto os recintos são preparados para os cães recém-resgatados ou que chegam de alta médica.
Quanto à saúde dos animais, o diretor revelou que o Cemsa está sem atendimento veterinário próprio há cerca de 30 dias. A médica veterinária titular está grávida e precisou ser afastada por recomendação médica devido ao risco de contrair toxoplasmose. Sem a possibilidade de contratação imediata pelo município, todos os casos suspeitos passaram a ser encaminhados para uma clínica terceirizada, o que também explica o salto nos gastos públicos com esse serviço. "Comecei a levar os animais para uma clínica terceirizada, por isso os gastos subiram de R$ 40 mil para R$ 100 mil", justificou.
Ele destacou ainda que a equipe de tratadores não tem capacidade técnica para laudar doenças silenciosas, como a cinomose, que acometia alguns dos animais recolhidos e explicou que houve um erro de interpretação em relação ao uso da palavra "canil", que ele utiliza para definir exclusivamente o setor inferior das baias, e não o complexo todo do Cemsa. Ele argumentou que a função de diretor exige o cumprimento de diversas outras demandas burocráticas e externas — como resgates, fiscalização de denúncias, relatórios, busca de doações de ração e recepção de visitas escolares para educação ambiental —, o que impossibilita sua presença integral nas baias, função esta destinada aos tratadores e estagiários.
"Foi mal interpretado o fato de eu dizer que eu desço uma ou duas vezes por semana no canil. Na verdade eu trabalho no Cemsa, e quando eu cito o canil, é o local onde ficam as baias onde ficam os cachorros. O cargo de diretoria não é só ficar no canil", justificou. O biólogo reforçou que descia ao setor inferior uma ou duas vezes na semana para inspecionar os cães. "Então uma vez ou duas vezes na semana eu descia, e eu verificava baia por baia, e todos os animais que eu achava que estava doente, eu mandava para a clínica", justifica.
Ao final de seu pronunciamento, Felipe Selvagem ressaltou sua trajetória de 15 anos de trabalho voluntário com resgate de animais silvestres e domésticos. Ele garantiu que sua gestão preza pelo bem-estar animal e que falhas pontuais ocorrem pela sobrecarga, mas refutou veementemente qualquer intenção de dolo ou omissão no cuidado com os cães abrigados pelo município.
A operação que resultou na detenção do biólogo foi conduzida pelo Ministério Público e pelas Polícias Civil e Ambiental.




