“Era muito escandalosa”, diz filho suspeito de matar a mãe em BH

26/06/2026

Em audiência, Ritchie Viana descreveu como matou a genitora, falou em voz e vingança; Justiça manteve a prisão e marcou perícia mental

Ritchie Glaycon Rodrigues Viana, de 27 anos, suspeito de matar a própria mãe em Belo Horizonte, detalhou à Justiça como teria cometido o crime e afirmou que a vítima "era muito escandalosa". Segundo o investigado, a mãe "não demonstrou grandes reações" no momento do ataque. Ele também disse ter ouvido uma voz mandando que cometesse o crime e afirmou ter agido motivado por um sentimento de vingança.

"Quando eu fui assassiná-la, eu entrei no quarto dela, ela não demonstrou grandes reações", declarou durante a audiência. Em outro trecho do depoimento, Ritchie afirmou ter estranhado o fato de a polícia ter chegado ao apartamento após denúncias de vizinhos.

"Não teve muitos gritos", disse.

Na sequência, justificou a surpresa afirmando que a mãe costumava fazer muito barulho.

"A minha mãe sempre foi muito, entre aspas, escandalosa", declarou ao magistrado.

De acordo com os autos do processo, o crime ocorreu enquanto a vítima dormia. A Polícia Militar (PM) já havia informado que o suspeito foi encontrado dentro do apartamento, onde confessou o assassinato e apresentou comportamento considerado frio pelos policiais.

O depoimento foi prestado durante a audiência de custódia e obtido pela Record TV.

Voz, vingança e contradição

Durante a audiência, Ritchie afirmou que ouviu uma voz ordenando que matasse a mãe. Também disse ter agido por vingança, alegando que sofreu negligência ao longo da vida.

Apesar disso, reconheceu que a mãe era quem sustentava a casa e afirmou que ela "nunca deixou faltar nada". Na época do crime, ele estava desempregado.

O suspeito também revelou ter sido diagnosticado com esquizofrenia em 2020, quando morava em Portugal. Segundo ele, fez tratamento durante cerca de cinco anos, mas interrompeu o acompanhamento médico e deixou de tomar os medicamentos ao retornar ao Brasil, em maio do ano passado.

Ritchie ainda contou que fez uso de drogas como LSD, maconha e substâncias sintéticas, embora tenha afirmado estar sem consumir entorpecentes havia seis meses.

Justiça mantém prisão

Após a audiência, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. A decisão considerou a gravidade do caso e o risco à ordem pública.

Ritchie foi encaminhado ao Centro de Apoio Médico e Pericial (CAMP), em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde permanece custodiado sob acompanhamento psiquiátrico.

A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza determinou que a unidade prisional seja comunicada com urgência sobre a realização do exame de sanidade mental do investigado. 

A perícia está marcada para segunda-feira (29) e deverá apontar se ele tinha capacidade de compreender os próprios atos no momento do crime.

O caso segue sob investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).

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