Especialista destaca avanço com IA contra câncer de pâncreas

Oncologista, Paulo Hoff abordou sobre o novo tratamento que bloqueia mutação presente em 90% dos casos e amplia a sobrevida dos pacientes

O oncologista Paulo Hoff, um dos maiores especialistas do país, destacou os avanços no tratamento do câncer de pâncreas, um dos tumores mais agressivos. Os resultados apresentados no maior congresso de oncologia do mundo, realizado recentemente nos Estados Unidos, surpreenderam a comunidade médica.
Em entrevista ao Roda Viva desta segunda-feira (8), Hoff detalhou os avanços das pesquisas sobre o câncer de pâncreas, destacou a complexidade do tratamento e desmentiu fake news que viralizaram nas últimas semanas sobre uma suposta pílula milagrosa para curar a doença.
"O câncer de pâncreas é um câncer de tratamento muito difícil. A mortalidade é muito alta porque, geralmente, ele é diagnosticado em estágios mais avançados. Trata-se de uma cirurgia complexa, uma das mais complexas na área oncológica, e as respostas aos tratamentos têm sido limitadas ao longo dos anos", afirma o oncologista.
Terapia inovadora
Hoff explicou que os médicos já conheciam a presença da mutação na molécula KRAS em mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas. No entanto, por décadas, essa alteração genética foi vista como um alvo terapêutico de difícil tratamento.
"O que mudou foi que, recentemente, utilizando uma série de ferramentas, incluindo a Inteligência Artificial, chegou-se a um modelo capaz de bloquear essa molécula. E, na ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), foi apresentado o primeiro estudo em câncer de pâncreas no qual uma dessas moléculas que bloqueiam o KRAS obteve resultados positivos", Paulo Hoff
Canetas emagrecedoras e a prevenção do câncer
Ao longo da entrevista, Paulo Hoff também abordou o uso das chamadas canetas emagrecedoras como ferramenta auxiliar na prevenção do câncer e comentou os efeitos observados com esses medicamentos.
"Os dados são bastante interessantes. As canetas que utilizam agonistas de GLP-1 têm sido usadas como medicamentos para perda de peso, embora a intenção inicial fosse o tratamento do diabetes. No começo, havia uma preocupação porque, em estudos com animais, elas poderiam causar um tipo raro de câncer de tireoide", destacou o especialista.
O oncologista ressaltou que esse tipo raro de câncer não foi identificado em humanos. Com o passar do tempo, porém, médicos e pesquisadores observaram diversos efeitos positivos relacionados a esses medicamentos, como a redução do peso corporal e da obesidade.
"Depois do tabagismo, a obesidade é a segunda maior causa, em volume, de câncer associado a fatores de risco modificáveis", afirma.


