EUA planejam uma operação para reabrir o Estreito de Ormuz

23/03/2026

Rota crucial para o transporte de petróleo segue no centro do conflito no Oriente Médio, que chega à quarta semana sem previsão de um cessar-fogo

Os Estados Unidos planejam uma possível operação de várias semanas para forçar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz. As informações são do embaixador de Israel, Yechiel Leiter. Nas redes sociais, ele chegou a divulgar uma entrevista concedida à CNN no último domingo (22).

"Os EUA e Israel planejaram esta operação juntos, estamos executando-a juntos e vamos derrubar este regime terrorista, juntos". Yechiel Leiter

Na ocasião, Leiter afirmou que a guerra deve continuar até que o regime da República Islâmica seja degradado. "Nosso foco deve ser enfraquecer esse regime a ponto de ele não representar mais uma ameaça para nós, para a região, para o mundo", frisou. 

Donald Trump também intensificou as ameaças em relação ao controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo, emitindo um ultimato de 48 horas na noite do sábado (21) para que o estreito fosse aberto, ou os EUA atacariam usinas de energia iranianas.

O que é o Estreito de Ormuz?

Responsável por cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, o estreito é considerado uma das rotas mais cruciais para o transporte da commodity. Estima-se que cerca de 20 milhões de barris de petróleo cru, condensado e derivados cruzam esse canal estreito, que liga o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia.

Países como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque dependem fortemente dessa via para exportar petróleo, especialmente com destino à Ásia. O Estreito de Ormuz tem apenas 33 km em sua parte mais estreita, com dois canais de navegação de 3 km cada.

Conflito entra na quarta semana

Sem perspectiva de cessar-fogo, o conflito no Oriente Médio se aproxima da quarta semana. No dia 28 de fevereiro, um ataque coordenado pelos EUA e Israel atingiu instalações militares e estruturas consideradas estratégicas pelo regime iraniano. Explosões foram registradas na capital, Teerã, e em outras cidades importantes para o regime do Aiatolá.

O ataque matou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamene i. A confirmação da morte foi divulgada, horas depois dos primeiros ataques, pela imprensa estatal iraniana. Os ataques e a perda do principal líder político e religioso do Irã provocaram reação imediata do governo. Mojtaba Khamenei, filho de Ali, assumiu o posto.

O Irã respondeu com ataques contra alvos ligados aos Estados Unidos e a Israel no Oriente Médio. Foram disparados mísseis e drones contra bases militares e infraestruturas estratégicas em diferentes países do Oriente Médio.

Neste domingo (22), a guerra entre EUA e Israel contra o Irã chegou ao 23° dia, sem sinais e nem perspectiva de término. Os países se atacam diariamente com bombardeios e danos aos territórios iraniano e israelense. 

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