Falso biomédico é denunciado por morte de idosa no Paraná

15/04/2026

Estudante de 22 anos teria realizado procedimento estético invasivo sem ter formação; vítima de 66 anos morreu de infecção generalizada

O estudante Erick Avelaneda Ferreira de Souza, de 22 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) nesta quinta (09) pela morte de Silvana de Bruno, de 66 anos, após complicações por cirurgia estética nos seios que só poderia ser realizada por médico profissional. O homem é suspeito de se passar por biomédico para realizar procedimentos estéticos em clínicas alugadas com documentos falsos em Curitiba.

A vítima sofreu complicações após o atendimento e veio a falecer por sepse (infecção generalizada), no dia 2 de outubro de 2025. Erick está preso preventivamente pela Polícia Civil desde 1º de abril.

Segundo a denúncia do MP, em maio de 2025, o suspeito atendeu à Silvana se apresentando como dentista e biomédico, e realizou cirurgias invasivas como aplicações de plasma facial, lipo de papada e lipoenxertia nos seios na vítima.

De acordo com a Polícia Civil, dias depois da cirurgia, Silvana relatou dores intensas, mas o denunciado se limitou a receitar antibióticos, quando era caso de internação hospitalar imediata.

Ao saber que Silvana deu entrada no hospital, Erick teria se apresentado como acompanhante, com informações falsificadas em documentos pessoais para se passar por primo da vítima e se reafirmar como biomédico, aponta o Ministério na denúncia.

Erick é suspeito pelos crimes de homicídio doloso e falsidade ideológica. De acordo com o MP, no caso do homicídio, a denúncia considerou qualificação por motivo torpe (por ter sido praticado por lucro fácil), uso de dissimulação (uma vez que o homem teria se apresentado falsamente como profissional da área da saúde) e traição (em razão da quebra de confiança estabelecida com a vítima, de quem havia se aproximado e conquistado a amizade). O MP pede aumento de pena em um terço, pelo fato da vítima ser uma pessoa idosa.

Suspeito continuou atuando

A delegada da Polícia Civil do Paraná, Aline Manzatto, afirma que o suspeito apresentava um comportamento de afronta, e que mesmo sem formação e após ser investigado por homicídio doloso qualificado, com pena de até 30 anos, seguiu realizando procedimento.

O estudante teria deixado de atuar nas clínicas e passou a atender na própria casa das vítimas, em condições ainda mais precárias, informou a delegada. Diante da continuidade da atuação e das ameaças, a Polícia Civil realizou a prisão preventiva de Erick, que está na Cadeia Pública de Curitiba.

Foi pedido a prisão preventiva dele e deferida pela garantia de ordem pública, já que ele continuava atendendo, e também pela ameaça de testemunhas. (...) Na residência dele tinha diversos instrumentos cirúrgicos e medicações sem identificação, seringas com conteúdo desconhecido, medicação vencida, material com sangue e seringa, que deveria ser descartada, dentro da mochila. Aline Manzatto, delegada da Polícia Civil do Paraná.

Mandados de busca e apreensão foram realizados, encontrando instrumentos cirúrgicos, medicamentos sem identificação, produtos vencidos , seringas usadas e com conteúdo desconhecido, além de materiais contaminados com sangue dentro de mochilas e na casa do suspeito. De acordo com a delegada, as medicações impróprias e falsificadas (sem procedência conhecida) podem gerar outra pena de 10 a 15 anos.

A polícia chegou ao suspeito após uma testemunha alertar outros dois novos clientes, que cancelaram os atendimentos. Segundo a delegada, Erick teria ameaçado a mulher que fez o alerta, alegando que ela "mexeu com o capeta" e que teria consequências. O estabelecimento da testemunha foi depredado, e um boletim de ocorrência foi registrado.

Os atos por ele praticados podiam efetivamente voltar a contaminar vítimas e infecções graves com sequelas e até chegando à morte, como com a primeira. Aline Manzatto, delegada da Polícia Civil do Paraná.


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