Gaeco denuncia 4 por esquema de rachadinha em gabinete de Ricardo Arruda; mulher do deputado está entre eles

23/06/2026

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público do Paraná, ofereceu denúncia criminal contra 4 pessoas investigadas por participação em um suposto esquema de rachadinha no gabinete do deputado Ricardo Arruda (PL), entre eles a mulher do deptado, Patrícia Miranda Arruda Nunes. Foram denunciados também Lucas Dorini Sabato, Bruno Palazzo da Silva e André Filipe Cassinelli Luiz.  

 As acusações, segundo o Gaeco, envolvem crimes de lavagem de dinheiro e concussão praticados entre 2018 e 2023, envolvendo valores de aproximadamente R$ 132,8 mil. 

Em nota distribuída aos jornalistas, o deputado se defendeu. "O Dep. Ricardo Arruda declara que as acusações são inverídicas e que tem confiança plena no trabalho da Justiça Paranaense, que reconhecerá a verdade e absolverá todos os envolvidos nas injustas acusações do GAECO", disse a nota.

O MP informou que a atual denúncia não inclui o deputado Ricardo Arruda, por ele já ter sido denunciado em 2024. Segundo a denúncia, ele teria exigido de servidores comissionados o repasse de parte de seus vencimentos. Os valores eram recebidos de forma indireta, com o uso de mecanismos destinados a ocultar a origem e o destino dos recursos, informou o Gaeco.

O MP informou também que a denúncia já foi recebida pela 2ª Vara Criminal de Curitiba, que já deferiu o pedido de afastamento das funções públicas de um dos denunciados, que ainda ocupa cargo em comissão na Assembleia Legislativa. A decisão tem como objetivo evitar eventual interferência na apuração dos fatos e assegurar o regular andamento do processo.

Segundo a denúncia oferecida pelo MP, as investigações apontaram diferentes formas de operacionalização do esquema. Em três episódios citados na denúncia, valores transferidos por servidores foram utilizados para aquisição de moeda estrangeira entregue depois, em dinheiro, ao parlamentar, com o objetivo de dissimular a origem dos recursos. Em outros fatos descritos, os repasses teriam ocorrido por meio da utilização de cartões de crédito, com o objetivo custear despesas da esposa do deputado com recursos provenientes dos valores exigidos dos funcionários.

Além disso, a denúncia relata também situações em que servidores realizaram transferências bancárias, saques em espécie e depósitos em contas de terceiros, além de pagamentos de despesas pessoais e transferências para empresa familiar ligada ao parlamentar. Conforme apurado, as operações buscavam ocultar a origem dos recursos e dificultar sua rastreabilidade.

E sobre fatos mais recentes, ocorridos em 2023, a denúncia sustenta que dois dos acusados, com conhecimento do deputado, teriam atuado diretamente na exigência de repasses de parte dos vencimentos de servidores e na adoção de mecanismos destinados a ocultar o recebimento dos valores, inclusive mediante depósitos em espécie e pagamento de despesas particulares.

O MP informou que um dos investigados foi denunciado por um crime de lavagem de dinheiro. Outro responde por dez crimes de lavagem de dinheiro e dois de concussão. Um terceiro responde por dois crimes de lavagem de dinheiro. A quarta denunciada, a mulher do deputado, foi acusada da prática de oito crimes de lavagem de dinheiro e um crime de concussão. O processo tem o número 0006891-39.2025.8.16.0196.

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