Governo vai fechar ponte após morte de jovem e estuda demolição

17/06/2026

União avalia retirada da estrutura enquanto autoridades tentam impedir novas ocorrências na área entre Limeira e Cordeirópolis, no interior paulista

A morte da personal trainer Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo, levou o Governo Federal a acelerar medidas para impedir o acesso ao local.

A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) anunciou que iniciou os procedimentos para bloquear completamente a entrada na estrutura e estuda até mesmo a sua demolição.

A decisão foi discutida nesta terça-feira (16) em uma reunião com representantes da SPU de São Paulo e Brasília, além de técnicos do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Maria Eduarda morreu no último sábado (13), após ser lançada da ponte sem estar conectada às cordas de segurança que deveriam sustentar o salto.

Demolição entra na lista de alternativas

Segundo a SPU, uma das possibilidades em análise é a remoção definitiva da Ponte do Esqueleto. No entanto, como uma eventual implosão depende de estudos técnicos, licenças ambientais e processos administrativos, as primeiras ações serão voltadas para impedir que pessoas continuem frequentando a área.

A proposta prevê a instalação de barreiras físicas mais resistentes e de difícil remoção, substituindo os bloqueios atuais, que frequentemente são desrespeitados por visitantes e praticantes de esportes radicais.

A ponte está localizada em um trecho ferroviário inacabado da antiga Rede Ferroviária Federal, entre Limeira e Cordeirópolis (SP). Nos últimos anos, o local se transformou em ponto de encontro para aventureiros atraídos pela altura e pela paisagem.

Histórico de impasses sobre o local

A discussão sobre o futuro da estrutura ocorre poucos dias após um novo embate entre a União e a Prefeitura de Limeira.

O Governo Federal afirmou que o acesso à ponte voltou a ser permitido após pressões de empresários da cidade, que defendiam a retomada da circulação no local. A União também destacou que nunca autorizou a realização de atividades esportivas na estrutura.

Já a Prefeitura de Limeira anunciou que pretende ingressar com uma ação judicial contra o Governo Federal por suposta omissão. A administração municipal argumenta que vinha alertando órgãos federais sobre os riscos da área e cobrando providências para evitar acidentes.

Prefeitos defendem solução permanente

Após a morte de Maria Eduarda, os prefeitos de Limeira e Cordeirópolis passaram a cobrar medidas definitivas para evitar novas tragédias.

O prefeito de Limeira, Murilo Félix (Podemos), voltou a defender a retirada da estrutura.

Segundo ele, a ponte representa um risco conhecido há anos e continua atraindo visitantes mesmo diante das interdições já realizadas.

A prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad (União Brasil), também manifestou apoio à adoção de medidas permanentes para impedir o acesso ao local.

Enquanto uma decisão final não é tomada, os municípios se comprometeram a reforçar os bloqueios existentes e abrir valetas em pontos de entrada utilizados por frequentadores.

Limeira não quer assumir responsabilidade pela área

Durante as reuniões realizadas entre representantes da SPU, Advocacia-Geral da União (AGU), prefeituras e câmaras municipais, também foi discutida a possibilidade de transferir a área para o município de Limeira.

A proposta, porém, foi descartada pela administração municipal, que alegou não haver interesse público na incorporação da estrutura e afirmou que possui outras prioridades de investimento.

A SPU explicou que a posse da ponte está relacionada a um acordo para quitação de parte de uma dívida do Governo do Estado de São Paulo com a União. A transferência formal da área para o patrimônio federal foi concluída apenas em maio deste ano.

Polícia Federal poderá investigar divulgação de atividades

Além do reforço das barreiras e da sinalização de proibição, a SPU informou que pretende acionar a Polícia Federal para apurar a atuação de pessoas e empresas que promovem eventos e atividades consideradas clandestinas na Ponte do Esqueleto.

De acordo com o órgão, mesmo após interdições e alertas, a realização de saltos e outras práticas continua sendo divulgada pelas redes sociais.

Acidente reacendeu debate sobre segurança

A tragédia que matou Maria Eduarda voltou a colocar a Ponte do Esqueleto no centro das discussões sobre segurança pública na região.

Segundo a Polícia Civil, a jovem foi lançada durante a atividade sem estar presa às cordas de segurança. Três responsáveis pela operação foram presos e seguem sendo investigados.

A defesa dos envolvidos afirma que o grupo atuava havia anos sem registros de acidentes graves e que existiam protocolos de segurança para a realização dos saltos. No entanto, os investigados ainda não conseguiram explicar por que a conexão da corda não foi conferida antes da atividade.

SOBRE O CASO: Postagens sobre Maria Eduarda são crime de vilipêndio a cadáver

Estrutura acumula acidentes nos últimos anos

O caso mais recente se soma a uma série de ocorrências registradas na ponte.

Em 2025, uma mulher foi encontrada morta sob a estrutura. No mesmo ano, duas praticantes de rope jump sofreram uma queda durante um salto e ficaram gravemente feridas.

Já em 2024, uma ciclista de 38 anos morreu após perder o equilíbrio e cair enquanto atravessava o local.

A investigação sobre a morte de Maria Eduarda continua e deverá ajudar a esclarecer as circunstâncias do acidente e definir as responsabilidades pelo caso. 


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