Inaugurada em 2025, ponte que liga Brasil ao Paraguai só recebe caminhões vazios e à noite

Comerciantes do Brasil e do Paraguai reivindicam a abertura da Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, à cidade paraguaia Presidente Franco, para veículos de passeio e de transporte turístico.

Inaugurada em dezembro de 2025 com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a via só serve de passagem para caminhões vazios (em lastre) das 22h às 5h e ônibus de turismo, das 19h às 7h.
O governo brasileiro já sinalizou a disposição para liberar a passagem para caminhões carregados de pequeno porte, porém um dos entraves vem do Paraguai. A Prefeitura de Presidente Franco diz que os veículos carregados danificam o asfalto e perturbam os moradores quando passam pela cidade.
Em nota, o Itamaraty afirma que a ponte opera "em regime provisório" e só poderá funcionar plenamente "quando os acessos do lado paraguaio estiverem prontos".
"O governo brasileiro defende posição de que a Ponte da Integração seja utilizada prioritariamente para a circulação de veículos de carga. Essa ponte e a Ponte da Amizade deverão funcionar como sistema integrado, e uma vez que a primeira esteja plenamente operacional, a expectativa é a de que o fluxo de veículos em ambas seja mais ágil e os controles aduaneiros e migratórios, mais eficientes", diz a nota.
Já o governo paraguaio, em nota, afirma que há um cronograma a ser implantado a partir de agosto prevendo o transporte de pequenas cargas, e o transporte de passageiros, gradativamente.
A restrição de circulação deve-se a obras de acesso à ponte que estão inacabadas no lado paraguaio. Representantes de associações comerciais e de entidades de classe afirmam que, mesmo assim, a passagem de veículos de pequeno porte é viável.
A liberação do trânsito desafogaria o fluxo intenso na fronteira Brasil-Paraguai que hoje se concentra na Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este.
Por lá passam cerca de 43 mil veículos e 93 mil pessoas diariamente, no sentido ida e volta, segundo a Receita Federal do Brasil, número que cresce em feriados.
O governo brasileiro financiou a ponte, por meio da Itaipu Binacional, ao custo de R$ 712 milhões. Neste valor estão incluídas uma rodovia de 15 quilômetros, a Perimetral Leste, e duas alfândegas construídas em Foz, nos limites entre Paraguai e Argentina.
Presidente do Codetri (Conselho de Desenvolvimento da Região Trinacional do Iguassu), Roni Temp afirma ser viável abrir a Ponte da Integração durante 24 horas para caminhões sem carga e carros pequenos. "Se não abrir a ponte ficará fechada mais dois anos. Achamos inviável pelo investimento feito."
Para Temp, os dois países têm prejuízo, porque muitos paraguaios deixam de vir para o Brasil fazer compras e frequentar clínicas enquanto brasileiros evitam o Paraguai para não enfrentar as filas da Ponte da Amizade, que podem ser de cerca de 2 horas.
O Codetri enviou um documento aos governos do Brasil e Paraguai no qual sustenta que a via fechada é um entrave para o desenvolvimento das três fronteiras.
Atualmente, os ônibus que passam pela ponte à noite são apenas aqueles que não têm como destino as áreas urbanas de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Porto Franco.
Outra reivindicação é a aceleração das obras da ponte sobre o rio Monday. Maior gargalo para a finalização do acesso à nova ponte no lado paraguaio, a execução da obra está em cerca de 40%. A previsão de entrega é somente para 2027.
Para o dono de umas das lojas pioneiras do Paraguai, A Monalisa, e presidente do Cicap (Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná), Charif Hammoud, o Paraguai mudou muito e está crescendo, mas o sistema de controle instalado na fronteira não acompanha o ritmo de expansão. "A melhor maneira para controlar é abrir mais acessos nas aduanas e mais pontes."

Caminhoneiros sentem impacto com Ponte da Integração fechada
Presidente do Sintrofi (Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário de Foz do Iguaçu e região Oeste), Rodrigo Souza diz que atualmente um caminhão leva de dois a três dias para cruzar a Ponte da Amizade em razão do intenso movimento.
E na Ponte da Integração, os motoristas com caminhões vazios ficam estacionados horas aguardando o horário para cruzar a fronteira. "É ruim para as empresas e os trabalhadores", diz.
Para o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários de Foz do Iguaçu e Região, Celso Gallegario, a demora na abertura total da Ponte da Integração causa um prejuízo estimado de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões ao ano para o comércio bilateral entre Brasil e Paraguai.
Demanda antiga para desafogar o trânsito entre Brasil e Paraguai e na Ponte da Amizade, construída na década de 1960, a Ponte da Integração Jaime Lerner foi concluída em 2023. Ela, porém, não teve o acesso liberado para veículos porque as obras das aduanas e da rodovia Perimetral Leste, em Foz do Iguaçu, só ficaram prontas no final do ano passado.
Com estrutura tipo estaiada, a via tem 760 metros de extensão e um vão-livre de 470 metros, considerado o maior do continente.


