Irã ameaça destruir produção de petróleo dos países do Golfo

22/04/2026

A declaração da Guarda Revolucionária Islâmica indica que os alvos são instalações nos Emirados Árabes, Arábia Saudita, Kuwait, Catar e Bahrein

Um comandante militar iraniano alertou, nesta quarta-feira (22), países vizinhos ao território que, se suas terras ou instalações forem usadas para atacar o Irã, "terão que se despedir da produção de petróleo na região do Oriente Médio".

De acordo com a agência de notícias Fars, um comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã teria afirmado que o alerta surgiu porque alguns países do Golfo Pérsico "permitiram anteriormente que seu território fosse usado pelos inimigos do Irã".

Ainda segundo a Fars, o militar teria apontado possíveis alvos dessa nova ameaça, que se expandiu para além de instalações militares e passou a incluir campos de petróleo e refinarias estratégicos em todo o Oriente Médio. A agência indica que estruturas nos Emirados Árabes, Arábia Saudita, Kuwait, Catar e Bahrein foram mencionados.

Cessar-fogo prorrogado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em sua rede social que ordenou às Forças Armadas que mantenham o cessar-fogo com o Irã por tempo indeterminado. O comunicado na última terça-feira (21), também definiu a manutenção do bloqueio marítimo ao Estreito de Ormuz.

Anteriormente, o republicano havia prometido que o cessar-fogo se encerraria nesta quarta (22), alegando que uma extensão deste armistício seria "altamente improvável". O cessar-fogo estava originalmente previsto para ter duração de 2 semanas, iniciando-se na noite de 7 de abril.

Escalada e instabilidade no Oriente Médio

O conflito no Irã tem provocado milhares de mortes desde o início dos ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel, iniciados em 28 de fevereiro.

Em resposta, Teerã anunciou o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás comercializados no mundo, o que equivale a ampliar os impactos globais.

Com o avanço das negociações diplomáticas, um cessar-fogo temporário permitiu a reabertura parcial da rota. No entanto, menos de 24 horas após o anúncio, o Irã voltou a indicar que poderia restabelecer as restrições caso o bloqueio naval americano fosse mantido.

No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que a liberação do tráfego seria provisória, válida até 22 de abril, período em que vigoraria o cessar-fogo entre Líbano e Israel.

O acordo, mediado pelo Paquistão, previa circulação controlada de embarcações, mas enfrentou resistência de atores envolvidos no conflito libanês, como o Hezbollah, além de Israel.

Diante de violações do cessar-fogo e da exclusão do Líbano de pontos centrais do entendimento, o Irã chegou a suspender novamente a liberação do tráfego. Com novas acusações de descumprimento e o prazo do acordo estendido, as tensões permanecem na região.

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