Júri formado por 7 mulheres condena homem que tentou matar ex-namorada em supermercado na Grande Curitiba

Mesmo após a vítima conseguir uma medida protetiva de urgência, o homem descumpriu a ordem judicial

Um homem foi condenado a 22 anos de prisão, em regime inicial fechado, por tentar matar a ex-namorada no estacionamento de um supermercado em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. O julgamento, realizado na segunda-feira (6), foi o primeiro Tribunal do Júri da comarca e teve um Conselho de Sentença formado exclusivamente por sete mulheres.
O homem foi considerado culpado por tentativa de feminicídio duplamente qualificada, pelo uso de meio cruel e por dificultar a defesa da vítima, além de outros dez crimes relacionados ao caso.
Segundo a denúncia, o crime aconteceu em 13 de junho de 2025. Inconformado com o fim do relacionamento, o condenado passou a perseguir a vítima, praticando ameaças, violência psicológica, agressões físicas e danos à residência da mulher ao longo de mais de um ano.
Mulher tinha medida protetiva contra o homem
Mesmo após a vítima conseguir uma medida protetiva de urgência, o homem descumpriu a ordem judicial. No dia do ataque, ele desferiu pelo menos 17 golpes de faca contra a ex-namorada, atingindo regiões vitais do corpo. A vítima sobreviveu graças ao socorro prestado por pessoas que presenciaram a agressão e foi internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O réu, que já estava preso preventivamente, permanecerá detido para iniciar o cumprimento da pena. O julgamento durou cerca de 11 horas e foi realizado na Câmara Municipal de Quatro Barras, por ser o primeiro Tribunal do Júri da comarca recém-instalada.

Feminicídios no Paraná
Os dados oficiais de 2025, aponta que 87 mulheres foram mortas pelos companheiros ou ex-companheiros no Paraná. O número representa um recuo de 20,2% no Estado, em relação aos feminicídios ocorridos em 2024, quando 109 mulheres morreram. O Paraná registrou taxa de 0,73/100 mil habitantes em 2025,.
Levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em março deste ano mostra que 13,1% das vítimas mortas tinham proteção judicial vigente no momento do crime.
A análise reúne 1.127 feminicídios registrados em 16 unidades da federação. Em 148 casos, a mulher já havia acionado o sistema de Justiça e recebido decisão protetiva, que, ainda assim, não impediu o desfecho letal.


