Madrasta e avó de menino morto acorrentado são presas em SP

14/05/2026

As duas já haviam admitido à polícia que sabiam que a criança de 11 anos era mantida presa dentro de casa pelo pai na Zona Leste de São Paulo

A Polícia Civil prendeu na noite desta quarta-feira (13) a madrasta e a avó paterna de Douglas Kratos, menino de 11 anos encontrado morto com sinais de tortura dentro de casa no Itaim Paulista, na Zona Leste de São Paulo. As duas foram levadas ao 50º Distrito Policial, responsável pela investigação do caso.

As duas mulheres já tinham admitido em depoimento que sabiam que o pai da criança, Chris Douglas, mantinha o garoto acorrentado ao pé da cama. Agora, também passaram a ser investigadas por suspeita de participação no crime de tortura qualificada pela morte do menino.

Chris, de 52 anos, havia sido preso em flagrante na segunda-feira (11). Na terça (12), a Justiça converteu a prisão em preventiva.

Segundo a polícia, a madrasta tem 42 anos e a avó, 81. As defesas delas não foram localizadas pela imprensa. até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto.

Em depoimento, o pai confessou que prendia o filho por uma corrente para impedir fugas. O objeto era amarrado à cama do quarto onde o menino dormia. Ele negou ter agredido ou torturado a criança.

Já a madrasta afirmou aos investigadores que convivia com Chris havia cinco anos no imóvel e que, nesse período, viu o menino ser submetido ao uso de correntes "ora pelo pai, ora pela avó". Ela também disse que o objetivo era evitar que o garoto fugisse de casa.

A avó, por sua vez, declarou que era o filho quem colocava a corrente no menino. Ela negou considerar a prática uma agressão e afirmou que o neto costumava fugir.

Os três confirmaram à polícia que as marcas nas pernas de Kratos eram provocadas pelas correntes.

Segundo o boletim de ocorrência, o menino foi encontrado morto ao lado da cama, com hematomas pelo corpo, roxidão nas extremidades e espuma na boca. A Polícia Civil trata o caso como tortura com resultado morte.

Peritos apreenderam correntes, celulares, computadores, tablet e cartões de memória na residência. A casa também tinha câmeras de monitoramento interno. As imagens ainda serão analisadas.

Conforme a Record TV, a polícia investiga possíveis abusos sexuais contra o garoto, além de grau de autismo, após perícia no Instituto Médico Legal (IML).

Entenda o caso

Douglas Kratos foi encontrado morto na noite de segunda-feira (11) dentro da casa onde morava com a família, no Itaim Paulista.

O caso começou a ser descoberto depois que os próprios familiares acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros. Segundo depoimentos, o menino estava "molinho" e sem reação.

Quando as equipes médicas chegaram ao imóvel, porém, a criança já estava morta.

Os socorristas relataram à polícia que o garoto apresentava diversos sinais de maus-tratos. Havia hematomas nos braços, mãos e pernas, além de marcas provocadas por correntes.

Segundo a Polícia Militar, o pai admitiu no local que mantinha o filho preso dentro de casa para impedir fugas.

A investigação aponta que o menino era submetido a sofrimento físico e psicológico contínuo. O exame necroscópico deve apontar a causa da morte.

Vizinhos disseram à TV Globo que sequer sabiam da existência da criança. Segundo relatos, Chris dizia ter apenas dois filhos e nunca mencionava o menino mais velho.

 O nome "Kratos", de acordo com policiais ouvidos pela investigação, teria sido inspirado no personagem do jogo "God of War", do qual o pai seria fã. O protagonista da trama, que tem o mesmo nome, é constantemente visto com correntes.

O caso segue sob investigação do 50º DP.

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