Mulher de jogador morre em terremoto na Venezuela; bebê é salva

26/06/2026

Família de Hector Bello vivia em prédio que desabou em La Guaira; filha do casal foi encontrada com vida, segundo a imprensa local venezuelana

A mulher do jogador venezuelano Hector Bello, identificada apenas como Andrea, morreu depois que o prédio onde a família morava desabou em La Guaira, uma das regiões mais atingidas pelos terremotos que sacudiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24). A filha do casal, ainda bebê, foi encontrada com vida, segundo a imprensa do país. O zagueiro, de 28 anos, está sem clube no momento.

A tragédia ocorreu em meio à maior sequência de tremores registrada na Venezuela em mais de 100 anos. Dois terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, derrubaram prédios em Caracas, capital do país, e em outras cidades, levaram o governo a decretar estado de emergência e deixaram ao menos 235 mortos, em um balanço ainda parcial. La Guaira ainda não entrou na contagem oficial.

Bello atuava até 2025 pelo Bolívar SC, clube com sede em Ciudad Bolívar, na Venezuela. O desabamento do prédio onde a família vivia ocorreu no estado de La Guaira, onde também fica o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país.

Outro jogador, o argentino Lucas Trejo, também relatou que familiares estavam desaparecidos após os tremores.

Venezuela ainda busca vítimas sob escombros

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse em pronunciamento na televisão estatal que o número de mortos ainda não inclui La Guaira. A região aparece entre as mais castigadas pelos tremores.

"Dezenas de edifícios desabaram e estamos realizando intensos esforços de resgate para salvar o máximo de vidas que Deus nos permitir", afirmou Rodríguez.

O governo suspendeu aulas e fechou serviços não essenciais para concentrar equipes públicas nas buscas. Redes de gás e eletricidade foram desligadas para reduzir o risco de novos acidentes.

O Aeroporto Internacional Simón Bolívar foi fechado após sofrer danos. Em Caracas, imagens mostraram equipes retirando feridos de prédios destruídos, enquanto familiares procuravam informações sobre desaparecidos perto dos escombros.

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, disse que "alguns prédios vieram abaixo" na capital e que casas também desabaram. Autoridades locais relataram quedas de estruturas em outras cidades.

No litoral, um hotel de pelo menos oito andares desabou. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o edifício destruído.

Tremores em sequência

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), os dois epicentros ficaram separados por apenas 5 km. O tremor mais forte foi registrado em El Guayabo, na Venezuela, a 168 km de Caracas, a uma profundidade de 13 km.

Pelo menos 20 réplicas form sentidas nas horas seguintes. O sistema PAGER, usado pelo USGS para estimar impactos de terremotos, aponta chance elevada de milhares de mortes e danos extensos.

A Cruz Vermelha Venezuelana informou que as avaliações ainda são preliminares e que o impacto humano total não é conhecido. A entidade relatou danos em infraestrutura de saúde, transporte público, residências e empresas em Caracas e em vários estados.

Um site criado para rastrear desaparecidos e divulgado por líderes da oposição venezuelana listava 7.381 pessoas sem localização confirmada por volta das 2h45 em Caracas. A Reuters informou que não conseguiu verificar os dados de forma independente.

Países da região ofereceram ajuda à Venezuela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil avalia a situação em Caracas e ofereceu assistência para ajudar na recuperação dos afetados.

Governos de El Salvador, Argentina, México, Estados Unidos e da União Europeia também se manifestaram.

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