Naufrágio com 400 moedas de ouro é identificado após 30 anos

Embarcação do século 17 transportava uma carga avaliada em mais de R$ 6,3 milhões e teve a identidade confirmada por documentos históricos

Depois de 30 anos, especialistas conseguiram identificar um navio naufragado encontrado em 1995 na Baía de Salcombe, no sul da Inglaterra. A embarcação era o Dom van Keulen, um navio holandês que afundou em 1633 em uma viagem entre o Marrocos e Amsterdã, na Holanda.
A identificação só aconteceu depois da análise de documentos antigos e dos objetos, incluindo mais de 400 moedas de ouro que eram parte de uma carga hoje avaliada em mais de R$ 6,3 milhões.
A descoberta da identidade do navio foi feita pelo historiador Ian Friel, que encontrou registros do antigo Tribunal do Almirantado da Inglaterra nos arquivos da Biblioteca Nacional, em Kew.

Como aconteceu o naufrágio
Dois comerciantes de Amsterdã, João de Pas e Andrea de Azevedo, pediram o reconhecimento da propriedade sobre a carga perdida no acidente. O depoimento deles e de dois tripulantes revelou que o navio atravessou uma tempestade forte perto da costa da Inglaterra.
A tripulação precisou abandonar a embarcação, deixando para trás uma carga valiosa que incluía cerca de nove mil moedas de ouro do Marrocos.
As informações achadas nos documentos antigos bateram com os objetos recuperados no fundo do mar.
Esta moeda desempenha um papel fundamental na determinação da data do naufrágio do navio, permitindo que o tesouro seja associado com segurança ao Dom van Keulen. The British Museum
Todo o trabalho de investigação foi reunido em um livro publicado por pesquisadores do Museu Britânico, da Universidade de Bournemouth e do Grupo de Arqueologia Marítima do Sudoeste da Inglaterra.
As moedas encontradas tinham gravado o ano em que foram produzidas. A mais recente era de 1632, que foi fundamental para mostrar que o navio afundou depois dessa data.

Além das moedas, os mergulhadores encontraram joias, peças de cerâmica, peles de cabra, o selo de um comerciante e pequenas bolinhas de resina guardadas dentro de um recipiente de cerâmica. Os pesquisadores acreditam que esse material fazia parte dos medicamentos transportados pela embarcação.
Pouco da construção original do navio ficou preservado, o que dificultou a identificação e fez dos documentos históricos ainda mais importantes para solucionar o caso.
Apesar da confirmação da identidade da embarcação, ainda existem poucas informações sobre o Dom van Keulen, e não há pinturas ou desenhos conhecidos que mostrem como era o navio.
Os pesquisadores afirmam que a identificação do Dom van Keulen ajuda a entender melhor as rotas comerciais do século 17 entre o Marrocos, os Países Baixos e a Grã-Bretanha.
Maior coleção da dinastia Sa'diana
O historiador Jeremy Hill, responsável pelas pesquisas no Museu Britânico, disse que encontrar ouro africano no fundo do mar, na costa de Devon, levantou muitas dúvidas sobre como aquele tesouro foi parar ali.
As moedas encontradas formam a maior coleção conhecida de moedas de ouro da dinastia Sa'diana, que governava o Marrocos naquele período.
O arqueólogo marítimo Dave Parham, da Universidade de Bournemouth, explicou que a descoberta ajuda a compreender melhor a riqueza dos governantes sa'dianos, o comércio de ouro africano e a intensa atividade marítima que ligava o Marrocos, os Países Baixos e a Grã-Bretanha no século 17.


