Nova iniciativa de Trump expande campanha para retirar cidadania

09/06/2026

Segundo autoridades, a ação faz parte da maior campanha de desnaturalização já promovida pelo governo americano, com foco em acelerar deportações

O governo de Donald Trump anunciou na segunda-feira (8) uma nova medida migratória que prevê a retirada da cidadania de 17 americanos acusados de fraude imigratória.

Segundo autoridades, a iniciativa representa o maior esforço já realizado pelo governo dos Estados Unidos para aplicar a cassação de cidadania, um mecanismo raramente utilizado antes do retorno de Trump à Casa Branca, em meio à promessa de promover uma onda histórica de deportações.

Levantamento histórico

Conforme levantamento da CBS News, dados revelam que entre 1990 e 2017, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos moveu, em média, apenas 11 ações por ano para revogar a cidadania de americanos naturalizados, segundo dados históricos.

Embora a legislação federal permita há décadas a revogação da cidadania de pessoas nascidas no exterior que tenham obtido a naturalização de forma fraudulenta como por meio da omissão de antecedentes criminais ou de outras informações relevantes em processos migratórios, o mecanismo tem sido raramente usado.

Considerado longo e complexo, o procedimento exige que o governo apresente provas capazes de convencer juízes federais a cassar a cidadania em ações cíveis ou criminais.

Desdobramentos

Em 2025, a Justiça americana ampliou as categorias de cidadãos naturalizados considerados prioritários para processos de desnaturalização. A reportagem aponta ainda que, em maio, as autoridades anunciaram uma dúzia de casos de cassação de cidadania, no que até então era apontado como a maior ofensiva do tipo em anos.

Entre os 17 cidadãos incluídos na mais recente ofensiva de desnaturalização, alguns foram condenados por crimes graves e violentos, incluindo abusos sexuais contra crianças. Outros respondem ou já foram condenados por fraudes e são acusados de terem obtido benefícios migratórios de forma irregular.

Em processos apresentados nos últimos dias, as autoridades afirmam que os investigados esconderam antecedentes criminais ou não cumpriam requisitos para a naturalização, como o de demonstrar "bom caráter moral", previsto na legislação americana.

Os alvos dos processos podem contestar judicialmente a decisão do governo. Caso percam a cidadania, retornam ao status migratório anterior e deixam de ter as proteções e benefícios garantidos aos cidadãos americanos, incluindo a proteção contra deportação. 

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