Parada LGBT+ reúne multidão com camisas do Brasil e famílias com crianças

08/06/2026

Programação inclui shows de Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias e Melody. Com o tema "A rua convoca, a urna confirma", o evento celebra três décadas de mobilização da comunidade LGBTQIAPN+.

Com tema político, a 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reuniu neste domingo (7) uma multidão com camisas do Brasil e os já consagrados leques coloridos na Avenida Paulista, além de muitas famílias com crianças.

Sob o lema "A rua convoca, a urna confirma", o evento celebrou três décadas de luta e resistência da comunidade LGBTQIAPN+ e reforça a importância da ocupação das ruas como espaço de mobilização.

No período, embora avanços históricos tenham sido conquistados, especialistas e ativistas alertam que muitos direitos ainda permanecem vulneráveis a disputas políticas e tentativas de retrocesso. (Leia mais aqui.)

No mês passado, um projeto de lei aprovado em primeira votação na Câmara Municipal queria proibir a presença de crianças e adolescentes na Parada, mesmo quando acompanhados pelos pais ou responsáveis, o que provocou uma onda de críticas.

Este ano também marca os 30 anos da urna eletrônica. Por isso, a escolha do tema faz referência às eleições e aovoto na defesa e na ampliação desses direitos. Políticos também participaram da Parada e fizeram discursos do alto dos trios elétricos.

Vestindo a camisa da seleção brasileira, o artista plástico Hal Wildson, convidado pela organização do evento para uma ação junto com o Votinho, mascote deste ano, e o gestor cultural Patrice Pauc estavam entre os que levaram os filhos, Thiago e Nina.

"Trazer as crianças é reforçar que esse é um lugar seguro para todos. Esse ano mesmo tinha deputado querendo proibir a vinda de crianças como se aqui fosse um lugar hostil. Ao contrário, aqui a gente fala de amor, de orgulho, de futuro", defende Wildson.

Foi o artista plástico que desenvolveu a bandeira que estampa a capa do personagem.

"Trouxe as cores da bandeira do Brasil porque todas as pessoas podem existir debaixo dessas cores. No arco-íris, também tem verde e amarelo", comenta.

O já tradicional exército de leques mais uma vez embalou os discursos e as músicas ao longo do dia. Seja na batida do hino nacional, pouco antes dos trios começarem a andar, ou acompanhando hits de Lady Gaga e outras divas pop, o acessório não saiu das mãos de quem estava na Parada.

A assistente de logística, Sabrina Nascimento, é de Cabreúva e veio para sua terceira parada, todas as vezes acompanhada do leque. "Uso o leque sempre. Sapatão, tem que mostrar representatividade", brinca.

O acessório também é companheiro fiel de Rosinaldo Coelho. Maranhense, o técnico em nutrição mora em São Paulo há 4 anos e sempre leve o leque para a Parada. "Vou nos rolês e levo ele. É símbolo de representatividade e de luta", afirma.

Já para Mohamed Ghandi, os leques são fonte de renda. Em sua barraca, quase em frente ao Masp, o item é o mais vendido na Parada. "A gente faz leque personalizado, liso, com as bandeiras. Leque é o que vende mais", afirma o vendedor.

O comerciante vai a Paradas em diversos estados vender os produtos e conta que a procura pelos leques aumentou bastante nos últimos anos.

Caio e Carolina, pais da Maria Helena, na 30ª edição da Parada LGBT+ em São Paulo
Caio e Carolina, pais da Maria Helena, na 30ª edição da Parada LGBT+ em São Paulo

O casal Caio e Carolina também foi outro que levou a filha pequena na Paulista. "Eu acho muito importante que ela não veja isso como algo diferente, mas que seja natural para ela. Quero que realmente ela cresça como se fosse algo natural", explicou Carolina.

Isabel e Sofia também foram para a Parada com a filha, Elis. "A importância de a Elis estar aqui é para ela entender que ela não é a única, que existem outras milhares de famílias homoafetivas, tanto no Brasil quanto no mundo e que ela faz parte de uma rede", disse Isabel.

Isabel e Sofia com a filha Elis na Parada LGBT+ em São Paulo
Isabel e Sofia com a filha Elis na Parada LGBT+ em São Paulo

A Parada também atraiu gente de outros estados. A empresária Fafá Landim e a dentista Evely Landim são de Juazeiro do Norte e vieram pela primeira vez. "Existe uma história por trás da Parada e nós estamos aqui para dar continuidade a essa história", celebra Fafá.

As duas são casadas há sete anos. Para elas, estar presente é comemorar a própria história do casal. "O direito, independentemente de qualquer coisa, tem que ser lembrado diariamente, constantemente. Isso é muito massa. A gente não tem só apoio do governo, mas da nossa família e dos nossos amigos", afirma a empresária.

Os empresários Jailson Sales e Luiz Rodrigues também viajaram de outro estado, mas a Parada já é rotina para o casal. Juntos há 26 anos, só não estiveram presentes na Parada durante a pandemia.

"Cada ano que passa melhora, a cada ano estamos adquirindo mais direitos, de poder sair nas ruas, de ter tudo que você quer como ser humano", comenta Jailson. "Ninguém vai poder parar a gente. Aqui é nosso melhor lugar para fazer essa manifestação dos nossos direitos e cada vez mais nós vamos conseguir", diz.

Trios

A concentração teve início por volta das 10h, e os trios elétricos começaram a se movimentar no início da tarde no sentido Consolação, seguindo pela Rua da Consolação.

Entre as atrações confirmadas estiveram alguns dos principais nomes da música e da cultura LGBT+ no país, como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias, Melody, Pepita, Jup do Bairro, Diego Martins, Thiago Pantaleão, Majur e Katy da Voz e as Abusadas.

Assalto

O deputado estadual suplente por São Paulo e presidente da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo, Agripino Magalhães Júnior, foi vítima de um assalto durante sua participação na Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo, realizada na Avenida Paulista.

Enquanto cumpria agenda, concedia entrevistas e acompanhava as atividades do evento, Agripino foi abordado por dois homens que anunciaram o assalto e levaram seus objetos pessoais, incluindo seu telefone celular.

Apesar do susto e da violência sofrida, Agripino não sofreu ferimentos e passa bem. O boletim de ocorrência foi registrado junto à Polícia Civil.

Para Agripino, o episódio evidencia uma realidade enfrentada diariamente por milhões de paulistas.

"Hoje fui eu. Amanhã pode ser qualquer trabalhador voltando para casa, qualquer estudante, qualquer mãe de família. A violência deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de quem vive em São Paulo. Não podemos aceitar que as pessoas tenham medo de andar pelas ruas, trabalhar, participar de eventos ou simplesmente exercer sua cidadania. Segurança pública precisa voltar a ser prioridade", afirmou.

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