Paraná se prepara para o dia mais frio do ano, alerta meteorologia

O Dia de amanhã pode ter as marcas mínimas mais baixas deste ano e geadas em várias regiões

Uma forte massa de ar polar, a primeira do inverno 2026, atua sobre o Paraná desde a noite de segunda-feira (22). Com isso, temperaturas mais baixas que nos últimos dias devem ser registradas em todo o Estado a partir desta terça-feira (23).
"Na terça-feira, o dia já amanhece gelado nas regiões paranaenses, mas ainda com dificuldade para ocorrência de geada, tanto pelo excesso de umidade como devido à ocorrência de vento. Mas a sensação térmica estará bem inferior aos valores nos termômetros, justamente por conta do vento", diz Lizandro Jacóbsen, meteorologista do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
O frio ganha mais intensidade nesta quarta-feira (24), com possibilidade de recordes anuais de temperatura mínima, e temperaturas negativas na região Sul do Estado, assim como nas regiões serranas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A geada começa a aparecer de forma mais ampla no Paraná, até mesmo em parte do Norte do Estado.
Com o avanço da massa de ar frio e seco sobre o Paraná, aumenta de forma significativa a área com formação de geada que se expande para o sul dos Campos Gerais, da Região Metropolitana de Curitiba e também para o sul do setor Noroeste paranaense. Nos extremos sul e sudoeste, o frio será ainda mais severo com previsão de ocorrência de geada forte.
Na quinta-feira (25), o ar frio segue rigoroso em boa parte do Paraná, com temperaturas muito baixas. Por isso, há a possibilidade de mais um dia com formação de geadas desde o Oeste, fronteira com o Paraguai, até a Região Metropolitana de Curitiba, assim como nos Campos Gerais e sul da região Noroeste. As geadas mais intensas estão previstas para o Sul, Centro-Sul e Sudoeste, divisa com Santa Catarina.
Gradativamente, o frio vai perdendo força ao longo dos dias. "Na quinta-feira ainda amanhece gelado em muitas áreas do Paraná, mas já com menos intensidade do que na quarta. Da mesma forma, sexta-feira terá menos frio do que na quinta. A massa de ar polar aos poucos vai perdendo intensidade e deslocando seu centro mais intenso em direção ao Oceano Atlântico", detalha Lizandro.

Inverno 2026 terá influência do El Niño
Em 2026, entretanto, o inverno será influenciado pelo fenômeno El Niño. O fenômeno gradativamente se intensifica e atinge o ápice entre a primavera e o verão 2026/2027 do Hemisfério Sul.
"O El Niño aumentará no Paraná a frequência de chuvas e sistemas frontais, ocasionará menor amplitude térmica, mais ocorrências de nevoeiros e geadas menos generalizadas", detalha Leonardo Furlan, também meteorologista do Simepar.
Com isso, a previsão para o inverno de 2026 é de que a amplitude térmica diminua ao longo de julho, o frio diminua ao longo de agosto e as temperaturas fiquem ligeiramente acima da média no fim da estação, em setembro. A chuva ficará acima da média histórica durante todo o período, com volumes crescentes até a primavera.
"Historicamente, durante o inverno, sistemas de alta pressão associados ao avanço de massas de ar frio e seco atuam com maior frequência, tornando os intervalos entre eventos de precipitação mais prolongados", diz Leonardo.
Segundo o meteorologista, massas de ar polar oriundas da Antártica e do sul da América do Sul favorecem quedas acentuadas de temperatura e a ocorrência de geadas no Paraná, principalmente nas regiões Sul, Centro-Sul, Sudoeste, Campos Gerais e Região Metropolitana de Curitiba. Mas também há episódios de veranicos, principalmente em agosto: períodos caracterizados por tempo seco e temperaturas elevadas para a época. Além disso, o inverno, assim como o outono, também é marcado pela ocorrência frequente de nevoeiros.
Frio congelante já não atinge tanto os hidrômetros como antigamente
Toda vez que havia possibilidade de geadas de forte intensidade, a Sanepar emitia alerta de cuidados com os hidrômetros, que podiam ficar danificados com o frio congelante. O superintendente-geral Comercial da Sanepar, Sergio Portela, afirma que a tecnologia embarcada nos hidrômetros os tornou mais leves e resistentes e que, por isso, já não se emite alerta de proteção dos equipamentos no inverno, por exemplo.
"Já não registramos mais tanto frio no Paraná e, também, a tecnologia utilizada na fabricação dos hidrômetros não exige maior proteção do que aquilo que é habitual. Não orientamos mais a cobertura do equipamento com caixa de papelão como antigamente, mas reiteramos o pedido para manter a atenção com a ligação. E isso vale para o ano inteiro", disse.
Portela lembra que os cuidados começam com o cavalete, formado por tubulações, registro e o próprio medidor. Este conjunto conecta as instalações hidráulicas internas do imóvel à rede de distribuição de água da rua. Não deve estar na passagem de veículos e nem na área de lazer das crianças, onde há o risco de danos.
A Sanepar detém um parque de 3 milhões e meio de hidrômetros em todo o Paraná, isto é, equipamentos instalados e em funcionamento para o fornecimento de água tratada.
O hidrômetro é composto por uma carcaça, engrenagens internas e um visor (ou cúpula). A parte externa, que é feita tradicionalmente de liga de metais, tem cada vez mais plástico de engenharia de alta resistência, sem valor comercial de revenda para reciclagem.


