PMs que mataram pedreiros dizem que confundiram tripé com fuzil

29/05/2026

Três agentes foram afastados das ruas após prestarem depoimento sobre a ação que deixou dois trabalhadores mortos em São Gonçalo

Os policiais militares envolvidos na morte de dois pedreiros em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, admitiram à Polícia Civil ter confundido um tripé com um fuzil antes dos disparos. Três agentes foram afastados das atividades nas ruas após o caso. 

Os depoimentos foram prestados à Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHSGNI), que investiga a ação ocorrida na manhã de quarta-feira (27). As vítimas foram identificadas como Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46.

Segundo testemunhas, os dois saíam para trabalhar em uma obra quando foram baleados. Eles carregavam ferramentas e marmitas, que permaneceram ao lado dos corpos após os disparos.

Morador relatou sequência dos tiros

Em depoimento à polícia, segundo o g1, um morador afirmou ter cruzado com os trabalhadores poucos segundos antes da ação policial.

"Eles passaram por mim, me cumprimentaram, deram bom dia, só que ele estava com uma ferramenta no colo. Eu até pensei comigo: 'pô, pode ser confundido com alguma arma'. Nisso que ele seguiu, por volta de uns trinta segundos depois, já escutei um monte de tiros, a rajada", relatou.

Pedreiros mortos pela Polícia Militar quando saiam para trabalhar
Pedreiros mortos pela Polícia Militar quando saiam para trabalhar

A mesma testemunha afirmou que não houve qualquer tentativa de abordagem antes dos disparos.

"Não teve voz de prisão, não teve pedido para parar, eles simplesmente chegaram próximo aos policiais que estavam escondidos e eles atiraram dessa forma", completou.

O caso aconteceu por volta de 7h30. Naquele momento, policiais militares davam apoio a funcionários de uma operadora de telefonia que realizavam serviços na região.

De acordo com os relatos colhidos durante a investigação, os agentes teriam interpretado uma ferramenta de trabalho transportada pelas vítimas como uma arma de fogo. Agora, os próprios policiais reconheceram que houve confusão entre um tripé e um fuzil.

Durante a perícia realizada pela Polícia Civil, uma régua utilizada em obras foi encontrada a cerca de 150 metros dos corpos.

Os militares envolvidos já haviam sido ouvidos pela 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Paralelamente, a investigação segue na Delegacia de Homicídios.

Protestos fecharam trecho da BR-101

As mortes provocaram protestos de moradores no Jardim Catarina. Manifestantes bloquearam um trecho da BR-101, na altura do km 306, no sentido Rio de Janeiro.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou queima de pneus e concentração de pessoas às margens da rodovia. A pista chegou a ser totalmente interditada por alguns minutos.

O congestionamento alcançou cerca de 1 km, segundo a concessionária Autopista Fluminense. 

Um homem foi preso após ser atingido por uma bala de borracha durante os confrontos registrados na manifestação.

O caso também afetou serviços públicos na região. A Unidade de Saúde Familiar Agenor José da Silva fechou as portas, enquanto a Unidade Municipal de Educação Infantil Augusto de Freitas Lessa e o CIEP 051 Municipalizado Anita Garibaldi suspenderam as aulas durante a manhã.

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