Quadrilha movimentou R$ 10 milhões com carros roubados no RJ

Investigação aponta que grupo ligava roubos, desmanches e ferros-velhos; esquema movimentou valor milionário em um ano

Uma organização criminosa especializada em roubo de veículos, desmanche e venda de peças automotivas ilegais movimentou mais de R$ 10 milhões em pouco mais de um ano, segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro.
O esquema é alvo de uma operação realizada na manhã desta quinta-feira (11) por agentes da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), que cumprem mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Nova Iguaçu (RJ), cidade da Baixada Fluminense.
Durante a ação, policiais também apreenderam peças automotivas em ferros-velhos investigados por participação no esquema.
As investigações apontaram que a estrutura criminosa funcionava de forma organizada e dividida em três frentes.
A primeira era formada pelos responsáveis pelos roubos de veículos. A segunda reunia os encarregados de desmontar os automóveis em áreas dominadas pelo crime organizado, separar as peças e transportá-las. Já a terceira era composta por receptadores e empresários do setor de ferros-velhos, responsáveis pela compra e revenda do material.
Segundo a Polícia Civil, a venda das peças roubadas financiava uma cadeia criminosa que começava nos assaltos e terminava no consumidor final.
Principal cortador do TCP foi preso
Desde o início das investigações, que duraram mais de um ano, cinco integrantes da organização foram presos.
Entre eles está um homem apontado como o principal responsável pelo desmanche de veículos da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).

De acordo com a polícia, ele foi preso em flagrante enquanto transportava peças retiradas de dois automóveis recém-desmontados que seriam revendidas em Nova Iguaçu (RJ).
Outro investigado, apontado como um dos maiores receptadores de peças roubadas do estado, também acabou detido durante as apurações.
Além deles, outros três suspeitos de participação em roubos de veículos foram presos.
Os agentes também apreenderam um carro e um jet ski avaliados em mais de R$ 200 mil que estavam em posse de um dos investigados.
Operação mira toda a cadeia do crime
A ação desta quinta-feira (11) busca reunir novas provas sobre a estrutura financeira da organização e identificar outros integrantes envolvidos no esquema.
Além dos mandados de busca, os policiais realizam a remoção de barricadas, a desobstrução de vias públicas e buscas em locais que possam estar sendo usados para esconder materiais ilícitos ou abrigar criminosos.
A operação integra a segunda fase da Operação Torniquete, força-tarefa criada para combater roubos, furtos e receptação de cargas e veículos no estado.
Segundo a Polícia Civil, esses crimes ajudam a financiar facções criminosas, disputas territoriais e o sustento de integrantes presos ou em liberdade.
Desde o início da Operação Torniquete, em setembro de 2024, mais de 1.050 pessoas foram presas. As ações também resultaram na recuperação de cargas e veículos avaliados em mais de R$ 56 milhões e em pedidos de bloqueio de bens que ultrapassam R$ 70 milhões.


