Quem se lembra da diarista de Curitiba que se tornou escritora?

29/05/2026

Em 2006, Luzia Freitas ficou conhecida como "A diarista que virou escritora" quando lançou sua autobiografia, na qual narrava sua experiência de 11 anos como vítima de violência doméstica e o que fez para sair da situação. 

Nascida numa área rural de Apucarana, Paraná, Luzia Freitas, mesmo em meio à muita escassez, com oito anos de idade, lá no meio da roça, afirmou para si mesma que um dia seria escritora. 

Por várias vezes tentou escrever, mas por não conseguir criar uma história, acabava rasgando. Mal sabia ela que, antes, teria que viver toda a história que seria escrita. 

Aos 19 anos, casou-se, indo residir em Curitiba, e o sonho de ter uma vida melhor transformou-se em pesadelo. Por ter pouco estudo e por não ser permitido que trabalhasse em uma empresa, Luzia trabalhava como diarista, e foi exatamente esse trabalho que lhe deu a chance de se libertar. Após montar suas estratégias, como guardar dinheiro às escondidas, saiu de casa e retomou as rédeas da sua vida. Trabalhando como diarista, voltou aos estudos, comprou seu apartamento, carro e finalmente realizou seu sonho de infância: ser escritora. Em 2006 e 2007, lançou seus dois primeiros livros.

Priorizando sua formação em terapias, por alguns anos manteve-se afastada da escrita, retomando em 2005 com seu terceiro livro: "Memórias de um galho de árvore". Recentemente publicou o quarto: "Depois que o café esfriou". Uma ficção histórica que resgata toda a trajetória do café do Paraná ao longo das décadas de 60 e 70 e o reflexo do seu esfriamento com um dos maiores marcos do estado: a geada negra de 18 de julho de 1975.

Luzia Freitas considera esse último como a sua grande obra. No momento está escrevendo o quinto livro. 

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