Supertufão no Pacífico indica força de El Niño no Brasil; saiba o que pode ocorrer no Sul

15/04/2026

A presença do supertufão Sinlaku, já presente no Oceano Pacífico Oeste acende um alerta para os meteorologistas. O fenômeno avança sobre águas excepcionalmente quentes e, de acordo com a MetSul, isso é um forte indicativo da proximidade e da força do El Niño. Embora, as condições atuais sejam de neutralidade, a Climatempo prevê a ocorrência a partir de maio e siga até o fim do ano. 

Em linhas gerais, em períodos de El Niño, que é um fenômeno de aquecimento do oceano, no Brasil o grande impacto ocorre no clima do Sul do Brasil com excesso de chuva, riscos de enchentes e muitos temporais na Região Sul com intensas ondas de calor no Centro-Oeste e no Sudeste.

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento fora do comum das águas superficiais do Oceano Pacífico na região da Linha do Equador. Embora o supertufão não ofereça risco algum ao Brasil, ele apresenta indícios das condições oceânicas em que se formou e são um prenúncio de El Niño nos próximos meses com profundo impacto no clima brasileiro.

O episódio de El Niño ainda não foi iniciado, segundo a última atualização da situação do oceano Pacífico Equatorial divulgada pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), dos Estados Unidos, em 13 de abril de 2026. A previsão da NOAA é de que de maio de 2026 a janeiro de 2027, o fenômeno esteja atuando com 25% de chances de ser um El Niño muito forte, forte ou moderado.

O monitoramento climático a longo prazo da Climatempo já trabalha com a ideia da influência deste fenômeno no inverno, na primavera e em pelo menos parte do próximo verão no Brasil. Historicamente o aumento da chuva sobre o Sul do Brasil é mais preocupante na primavera, que já é uma estação quando normalmente se observam eventos de chuva intensos e até extremos nesta região.

O que é o El Niño

Um episódio de El Niño ocorre quando as águas da superfície do Pacífico Equatorial se tornam mais quentes do que a média e os ventos de Leste sopram mais fracos na região. É uma condição oposta é chamada de La Niña. Durante esta fase, a água está mais fria que o normal e os ventos de Leste são mais fortes. Os episódios de El Niño, normalmente, ocorrem a cada 3 a 5 anos.

Os eventos afetam diretamente o clima do mundo. No Sul do Brasil, La Niña aumenta o risco de estiagem enquanto El Niño agrava a ameaça de chuva excessiva com enchentes.

Historicamente, as melhores safras agrícolas no Sul do país se dão com El Niño, embora nem sempre, e as perdas de produtividade tendem a ser maiores sob La Niña. O El Niño agrava o risco de seca no Nordeste do Brasil enquanto La Niña traz mais chuva para a região.

Impactos do El Niño no Brasil

O El Niño reduz as chuvas em áreas do Norte do Nordeste do Brasil e aumenta a frequência e o volume sobre a região Sul, especialmente sobre o Rio Grande do Sul.

Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, o maior impacto do El Niño é a irregularidade da frequência da chuva na primavera e no verão, além do aumento do calor, com longos períodos de temperaturas acima do normal.

Ondas de calor mais intensas

O El Niño no Brasil traz de ondas de calor prolongadas e intensas. Os períodos podem acontecer em qualquer estação do ano, com impactos negativos para a população maiores na primavera e no verão,

Efeitos prováveis do El Niño no Brasil

  • aumento da chuva no Sul, especialmente sobre o Rio Grande do Sul;
  • risco de chuva extrema no Sul do Brasil, na primavera e no verão;
  • risco de ondas de calor, que poderão ocorrer várias vezes no segundo semestre de 2026;
  • mais dias com umidade do ar muito baixa na primavera;
  • aumento dos problemas de saúde provocados pelo calor
  • risco de atraso no início do próximo período úmido do Sudeste e do Centro-Oeste;
  • aumento do risco de alastramento de focos de fogo na primavera;
  • aumento do consumo de energia elétrica por causa do aumento do calor;
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